(Foto:Divulgação)
Manaus (AM) – A direita amazonense atravessa um dos momentos mais delicados desde a ascensão do bolsonarismo no Estado. As prisões que atingiram lideranças nacionais, os conflitos internos e o desgaste de nomes tradicionais abriram um período de incertezas e reposicionamentos, especialmente agora que o ex-presidente, Jair Bolsonaro, está preso e impedido de atuar fisicamente na campanha, e não deverá vir ao Amazonas para lançar candidatos, como sempre fez.
Mesmo assim, o campo conservador segue longe de estar esvaziado. Essa é a avaliação de cientistas políticos ouvidos, que analisam o impacto da ausência de Bolsonaro, o papel de seus filhos, e o potencial dos principais nomes locais, como Maria do Carmo (PSC), Capitão Alberto Neto (PL), Alfredo Nascimento (PL) e do próprio governador Wilson Lima (União Brasil), que tenta se consolidar como o nome mais forte da direita no Amazonas.
Bolsonarismo enfraquecido, mas ainda influente
Para o cientista político, Afrânio Soares**, não há dúvida de que o grupo mais ligado ao ex-presidente enfrenta uma crise, mas isso não significa perda total de influência:
“Ao meu ver, a direita bolsonarista está enfraquecendo, porém, não está morta. Tem um grande poder de influência, e mesmo preso, Bolsonaro ainda pode influenciar nessas eleições, porque existe uma parte que lhe é fiel e votaria em quem ele indicasse.”
Afrânio acredita que a ausência física do ex-presidente será compensada por um porta-voz da própria família:
“Imagino que um dos seus filhos, provavelmente o Flávio Bolsonaro, assuma o papel de apoiador e indicador de candidaturas. O Eduardo não pode entrar no Brasil, o Carlos não tem o carisma e vai disputar o Senado por Santa Catarina.”
Direita maior que o bolsonarismo
Já o cientista político, Helso do Carmo ponderou que a ausência de Bolsonaro nos palanques será sentida, mas alerta que reduzir a direita ao bolsonarismo é um erro analítico:
“Com certeza a ausência dele será sentida. Ele tem a capacidade de reunir centenas de milhares de pessoas. Mas a direita vai muito além do que o ex-presidente apoia.”
Helso lembra que, dos atuais oito deputados federais do Amazonas, todos transitam dentro da direita, mas apenas Alberto Neto é diretamente ligado ao bolsonarismo.
“A direita é imensa, e o bolsonarismo é apenas uma parte dela, talvez até minoritária.”
Reorganização em curso: quem ganha força?
Com Bolsonaro fora dos palanques, o tabuleiro da direita no Amazonas se reorganiza e os especialista anunciaram o possível cenário:
1. Wilson Lima
- Surge como um dos principais beneficiados.
- Mantém alta capilaridade política e tenta se posicionar como liderança natural da direita regional.
- Busca aproximação com o eleitor conservador e com setores bolsonaristas.
2. Maria do Carmo
- Nome preferido de parte do núcleo bolsonarista.
- Deve ganhar mais visibilidade com um possível apoio formal da família Bolsonaro.
3. Capitão Alberto Neto
- Único deputado federal do Amazonas com vínculo direto ao bolsonarismo.
- Pode herdar boa parte do apoio emocional do eleitor fiel a Bolsonaro.
- Se fortalece como candidato ao Senado, especialmente sem concorrentes “ungidos” por Bolsonaro presencialmente.
4. Alfredo Nascimento
- Apesar de tradicional e influente, não recebeu, até agora, manifestação pública de apoio do ex-presidente.
- Disputa espaço dentro do PL local, que passa por reacomodação interna.
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