(Fotos: Alex Pazuello/ Secom e divulgação)
Manaus (AM) – O Governo do Amazonas levou cinco dias para anunciar o cancelamento da tradicional árvore de Natal do Largo de São Sebastião, mesmo após intensa pressão popular desde o dia do acidente que vitimou o trabalhador Antônio Paulo Rodrigues de Souza, de 40 anos, no último domingo (23).
A confirmação oficial da suspensão só veio nesta sexta-feira (28), gerando dúvidas sobre a demora na resposta diante da tragédia. O acidente ocorreu na manhã de domingo (23), quando um guindaste tombou enquanto a equipe montava a árvore.
Desde as primeiras horas após a tragédia, internautas passaram a pressionar o governador Wilson Lima nas redes sociais, pedindo o imediato cancelamento da montagem em respeito à vítima e à família.
Apesar da forte repercussão, a confirmação oficial da suspensão só foi divulgada na sexta-feira, quase uma semana depois do ocorrido.
Pressão política e nas redes sociais
Logo após o acidente, centenas de comentários surgiram nas publicações do governador, cobrando um posicionamento mais firme do governo. Usuários afirmavam que a continuidade da instalação seria “desrespeitosa” e pediam que o estado priorizasse o apoio à família e a investigação das responsabilidades.
Em alguns comentários, internautas fazem uma comparação entre a decoração de Natal e a pandemia do COVID-19, mostrando que, ambas refletem decisões governamentais que não valorizam a vida das pessoas e priorizam símbolos ou gastos superficiais em vez do bem-estar da população.





No período da pandemia em 2020 para este ano, o governo do Amazonas manteve altos gastos com decoração natalina, gerando críticas sobre prioridade e segurança.
Em 2020, o Estado planejava gastar R$ 1,5 milhão com árvores de Natal e eventos, incluindo contratação de empresas para montagem, logística e produção artística.
Em 2025, a mesma linha de atuação se manteve: a empresa Ecoart Soluções Ltda continuou responsável pela decoração em eventos culturais, com contrato aditivado para R$ 673,7 mil, incluindo reajuste de 3,03% e prorrogação por mais 12 meses.
Para a oposição do governador Wilson Lima, a soma do incêndio em 2024 e do acidente fatal em 2025 evidencia uma gestão reativa, que só age após tragédias. Parlamentares afirmaram que o episódio evidenciou a incapacidade do governo em gerir até mesmo a instalação de uma árvore de Natal, o que, segundo eles, refletiria também na administração do Estado.
Nova proposta para o Largo de São Sebastião
Com o cancelamento da árvore, o Largo de São Sebastião receberá uma proposta cenográfica alternativa, composta por módulos “instagramáveis”. A decoração natalina, inicialmente prevista para ser entregue no dia 30 de novembro, agora deve ser concluída apenas em 8 de dezembro.
A vítima, conhecida como Antônio Suricate, era de Parintins e trabalhava na ponta da lança do guindaste no momento em que o equipamento tombou. O operador da máquina, era Antônio Benjamin, também contratado para o serviço, mas que estava trabalhando irregular conforme as leis trabalhistas, por estar afastado pelo INSS e sem a utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).
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