Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Moradores denunciam que Governo abandou obra e deixou ramal intrafegável

Wilson Lima visitou ramal do Brasileirinho em 2023 e anunciou recursos, mas segundo moradores a comunidade segue esquecida e coberta pela poeira e pela lama em dias de chuva.

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(Fotos: print de vídeo)

Manaus (AM) — As queixas sobre o abandono de alguns trechos que ligam Manaus a Rio Preto da Eva e ao ramal do Brasileirinho, voltou a ser centro de discussão novamente após a publicação de um vídeo recente nas redes sociais do governador Wilson Lima, no qual ele destacou o avanço das obras de pavimentação da AM-010, que liga Manaus a Itacoatiara.

Internautas imediatamente passaram a cobrar a conclusão de intervenções em ramais da capital, entre eles o Brasileirinho, que enfrenta problemas graves de infraestrutura há anos.

O Portal AM1 entrou em contato com lideranças locais, que relataram a rotina de dificuldades e os riscos enfrentados pela população durante o período chuvoso. A principal via do ramal, que ainda aguarda conclusão da pavimentação, transforma-se em um cenário de lama, buracos e insegurança para motoristas e pedestres.

“Aqui vira um caos no inverno. Para quem usa moto é ainda pior. Já tivemos casos de pessoas com perna e braço quebrados. Carros vivem quebrando, e isso faz parte da nossa rotina, infelizmente”, relatou o presidente da comunidade, Alriberto Robson Clemente.

Segundo ele, há três anos os moradores realizam manifestações cobrando a conclusão da obra. Em vídeos enviados ao Portal AM1 por moradores locais, mostrou a realidades das famílias em dias de chuva.

Promessas não cumpridas e obra parada

Moradores denunciam que, durante a última manifestação, representantes do governo estadual enviaram a empresa responsável até o local, com a promessa de que a obra seria concluída até dezembro deste ano. No entanto, o serviço não avançou.

“A empresa começou um trabalho superficial. Quando fomos questioná-los, disseram que estavam retirando o material porque o governo não havia feito o pagamento. Ficamos à mercê dessa situação”, denunciou o líder comunitário.

O abandono da obra afeta diretamente serviços essenciais da comunidade. “Uber não entra. SAMU tem dificuldade de chegar. A polícia evita acessar a área, e isso aumenta o número de assaltos e invasões a sítios”, completou.

Disputa de responsabilidades

Em agosto deste ano, moradores voltaram às ruas para protestar e cobrar o asfaltamento completo do ramal. A manifestação reacendeu o embate entre Prefeitura de Manaus e Governo do Amazonas, que trocam acusações sobre a responsabilidade pela obra.

  • Prefeitura de Manaus afirmou, em nota, que a pavimentação do ramal foi licitada pelo Governo do Estado, e que por isso não pode atuar na área.

  • Governo do Amazonas, por sua vez, respondeu que a construção e conservação de vicinais e ramais são de competência da Prefeitura.

Enquanto o impasse político continua, moradores se sentem abandonados.

Moradores denunciam abandono de obra iniciada em 2023

Durante protesto, lideranças lembraram que o governador esteve na região em 2023, quando anunciou o projeto e os recursos para concluir o trecho conhecido como Leste-Sul. Dois anos depois, a comunidade afirma que nada avançou.

“Foram asfaltados 7 quilômetros do trecho que já tinha asfalto, e até recapearam novamente. Aqui faltam só 2 quilômetros e o governador não voltou nem para dar explicações”, criticou João Alberto, morador do local.

Outro morador reforçou que a obra parou justamente na parte mais crítica do ramal, que liga o Brasileirinho à Colônia Antônio Aleixo, passando pela região da Guara.

“Quando chove, ninguém consegue transitar. Crianças não chegam à escola. Dinheiro para fazer vocês têm. O que falta é concluir o que começaram”, disse Frank, morador há mais de 15 anos.

“Lembram da gente só na eleição”, afirmam moradores

Entre os relatos, uma moradora de comunidades próximas destacou o sentimento de abandono e a sensação de que o ramal só recebe atenção em período eleitoral.

“Todo ano estamos no sol e na chuva ajudando políticos a pedir voto. Depois, ninguém lembra de nós. Moto não dura três dias sem quebrar. Carro vive no mecânico. A gente não tem dinheiro para isso”, desabafou.

Enquanto isso, a comunidade segue esperando respostas e cobrando providências concretas para que o Ramal do Brasileirinho deixe de ser sinônimo de abandono e passe a oferecer dignidade e segurança aos seus moradores.

Confira os relatos dos moradores:

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