(Foto: Divulgação /Secom)
Manaus (AM) – O que começou como uma brincadeira de fim de ano acabou escancarando fissuras, alinhamentos seletivos e relações estremecidas do governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), com importantes lideranças políticas locais e nacionais.
Durante entrevista à imprensa local, nesta quarta-feira (17), Wilson Lima participou de uma dinâmica em que precisava dizer se enviaria ou não um panetone de Natal a nomes da política. As respostas revelaram mais do que o clima festivo sugeria.
Logo nos primeiros nomes citados, ficaram evidentes os conflitos que o governador mantém com figuras centrais do tabuleiro político amazonense. Ao comentar o senador Eduardo Braga (MDB), candidato à reeleição e líder nas pesquisas, Wilson Lima não apenas recusou o gesto simbólico, como expôs um histórico de atritos pessoais e políticos.
Disse haver “divergências”, mencionou episódios em que afirma ter sido atacado pessoalmente e, embora tenha reconhecido a relevância institucional do senador, deixou claro o distanciamento. A fala reforça um embate antigo que ultrapassa diferenças ideológicas e reflete disputas de poder no estado.
O contraste aparece quando o governador fala do senador Omar Aziz, apontado como favorito para sucedê-lo no governo. Mesmo admitindo que ambos atuam em campos políticos distintos, Wilson Lima fez questão de destacar a relação institucional e o apoio de Aziz em votações consideradas estratégicas.
A cordialidade, nesse caso, parece menos espontânea e mais pragmática, diante do peso político do senador no cenário estadual.
No plano nacional, o governador não deixou dúvidas sobre seu alinhamento ideológico. Ao falar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), adotou um discurso de defesa direta, classificando a situação enfrentada pelo aliado como “injustiça” e reafirmando sua identificação com a direita.
Já em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a resposta foi curta, desconfortável e negativa, ainda que precedida por uma declaração protocolar de respeito.
Entre as relações locais, Wilson Lima procurou transmitir uma imagem de normalidade administrativa. Sobre o prefeito de Manaus, David Almeida, e o vice-governador Tadeu de Souza, limitou-se a confirmações objetivas, evitando qualquer aprofundamento político.
Ao ser questionado sobre o estado da relação com o vice, afirmou que está “tudo bem”, reforçando o discurso de estabilidade, apesar das especulações recorrentes nos bastidores.
A cautela também marcou a fala sobre a bolsonarista Maria do Carmo Seffair (PL). O governador afirmou que ainda “tenta entender” o papel da possível candidata da direita no cenário eleitoral, descrevendo-a como alguém que “se coloca à disposição”, sem assumir compromisso claro.
A resposta evidencia indefinição estratégica em um campo político que, em tese, deveria lhe ser mais familiar.
As declarações ocorrem em um momento em que cresce, nos bastidores, a especulação de que Wilson Lima não deve cumprir o mandato até o fim.
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