Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Selo Diamante ignora escândalos e contratos obscuros no governo Wilson Lima

O governo acumula empréstimos bilionários aprovados sem detalhamento claro da aplicação, contratos emergenciais recorrentes, parcerias com fundações e organizações cercadas de controvérsias

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(Foto: Divulgação/Agência Amazonas)

Manaus (AM) – A propaganda oficial de que o Amazonas teria alcançado o “1º lugar do Brasil em transparência pública” sob a gestão do governador Wilson Lima esbarra em fatos graves e recentes que desmontam essa narrativa.

O selo celebrado pelo governo ignora uma sucessão de escândalos administrativos, decisões financeiras temerárias e a falta de explicações públicas sobre operações que colocaram em risco centenas de milhões de reais do dinheiro dos servidores e da população.

O caso mais emblemático envolve os investimentos realizados pelo governo do Amazonas, por meio da Amazonprev, no Banco Master.

Apenas em junho de 2024, foram aplicados R$ 50 milhões em Letras Financeiras do Banco Master, um tipo de ativo sem qualquer garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Na sequência, entre junho e setembro de 2024, o governo expôs ainda mais recursos públicos, totalizando cerca de R$ 350 milhões, ao aplicar valores adicionais em títulos do próprio Banco Master e também do banco digital C6.

Essas operações foram feitas em instituições de maior risco, sem que o governo apresentasse de forma clara à sociedade quais estudos técnicos embasaram as decisões, quem autorizou as aplicações e quais mecanismos de proteção foram adotados.

O problema se agravou quando o Banco Master entrou em liquidação extrajudicial, fazendo com que os recursos públicos aplicados passassem a integrar o quadro geral de credores, com risco concreto de perda significativa — ou até total — dos valores investidos.

Trata-se de dinheiro com destinação sensível: recursos da previdência estadual, de natureza alimentar, pertencentes a milhares de servidores ativos, aposentados e pensionistas.

Até hoje, o governo Wilson Lima não apresentou explicações públicas consistentes sobre por que escolheu um banco sem garantia do FGC, por que concentrou valores tão elevados em operações de risco e quem será responsabilizado caso os prejuízos se confirmem.

Esse episódio se soma a um histórico mais amplo de contradições.

Descontrole

O governo acumula empréstimos bilionários aprovados sem detalhamento claro da aplicação, contratos emergenciais recorrentes, parcerias com fundações e organizações cercadas de controvérsias, além de obras paradas e distratadas espalhadas pelo estado.

Na educação, mesmo com o Amazonas figurando entre os piores desempenhos do país no Enem, a prioridade tem sido contratos milionários para serviços acessórios, logística e terceirizações, enquanto indicadores básicos seguem sem avanço.

Na saúde, a ampliação da terceirização da gestão hospitalar veio acompanhada de altos custos e pouca transparência sobre metas, resultados e economia real para os cofres públicos.

Diante desse cenário, o chamado “Selo Diamante” revela uma transparência mais formal do que real. Publicar dados em portais não equivale a explicar decisões, assumir riscos, expor erros e prestar contas de escolhas que colocam centenas de milhões de reais em jogo.

Ao comemorar rankings e certificados, o governador Wilson Lima tenta sustentar uma imagem de gestão moderna e responsável.

Os fatos, porém, apontam para outra realidade: um governo que divulga números, mas evita explicar decisões; fala em transparência, mas acumula episódios graves sem esclarecimento; e celebra prêmios enquanto expõe o dinheiro público a riscos injustificáveis.

O selo não reflete a experiência concreta do cidadão amazonense. Funciona como peça de marketing institucional, incapaz de esconder os escândalos, o uso político da máquina pública e a distância crescente entre o discurso oficial e a prática do governo Wilson Lima.

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