Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

David Almeida diz ter ‘antecipado demais’ apoio a Omar Aziz e reabre jogo político para 2026

Após meses afirmando publicamente que caminharia ao lado de Omar, o prefeito "recuou" e passou a tratar o cenário como indefinido, abrindo espaço para novas conversas e rearranjos políticos.

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(Foto: Divulgação/Redes Sociais David Almeida)

Manaus (AM) – O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), indicou que o apoio anteriormente sinalizado ao senador Omar Aziz (PSD), pré-candidato ao Governo do Amazonas nas Eleições Gerais de 2026, está agora em revisão. A declaração ocorreu durante entrevista à BandNews Difusora nesta quarta-feira (17).

Após meses afirmando publicamente que caminharia ao lado de Omar, o prefeito “recuou” e passou a tratar o cenário como indefinido, abrindo espaço para novas conversas e rearranjos políticos.

Em declaração recente, David Almeida afirmou que antecipou um posicionamento que, na avaliação dele, deveria ter sido construído com mais cautela.

“Eu antecipei demais o meu apoio. Meu apoio passou a ser assim, quem sabe até descartado. Então agora eu vou valorizar o meu apoio”, disse, ressaltando ter consciência do peso político que exerce no processo eleitoral.

Apesar do recuo, o prefeito adotou um tom conciliador ao se referir ao senador, destacando a parceria institucional mantida ao longo do mandato.

“Só tenho a agradecer. É um parceiro nosso, enviou recursos para a cidade de Manaus, eu continuo, me considero amigo dele”, afirmou, sinalizando que o distanciamento não representa, ao menos por ora, um rompimento definitivo.

“Puxei o freio de mão”

David Almeida justificou a mudança de postura mencionando pressões e movimentos políticos que, segundo ele, se intensificaram nos últimos meses.

Ao afirmar que “puxou o freio de mão”, o prefeito explicou que pretende reavaliar compromissos, alianças e estratégias antes de definir qualquer apoio para 2026.

“Eu recuei, realmente recuei, porque eu me vi cercado”, declarou.

Sem citar nomes ou grupos específicos, o prefeito afirmou perceber uma concentração de articulações políticas direcionadas à sua figura, o que o levou a adotar uma postura mais defensiva e estratégica.

“É movimento num poder, é movimento num outro poder, é movimento num órgão… São todos os lugares com foco na questão do Davi”, disse.

Cenário segue aberto

Ao final, David Almeida deixou claro que o cenário eleitoral segue em aberto. “Vamos rever estratégias, vamos rever possíveis apoios. O jogo, posso dizer, está aberto”, concluiu.

A declaração reforça a indefinição no tabuleiro político amazonense e indica que alianças para 2026 ainda devem passar por novos rearranjos.

Apesar da reconfiguração no cenário político, David Almeida afirmou, na mesma entrevista, que não pretende ser candidato ao Governo do Amazonas em 2026. Segundo o prefeito, seu grupo político foi “liberado” para dialogar com diferentes frentes e avaliar possíveis alianças.

Na última semana, por exemplo, parte significativa da base aliada de David Almeida participou de um almoço com o governador do Amazonas, Wilson Lima, em um clima considerado amistoso, o que reforça o movimento de aproximação e abertura de diálogo no campo político.

Não será candidato em 2026

Embora reafirme que não disputará o governo estadual, o prefeito avalia que seu apoio tem peso relevante na capital. Como exemplo, citou o desempenho nas Eleições Municipais de 2024, quando venceu o deputado Capitão Alberto Neto (PL) no segundo turno.

Diante desse cenário, David Almeida classificou como precipitado o apoio antecipado ao senador Omar Aziz e afirmou ter se reposicionado no tabuleiro político, adotando agora uma postura de maior cautela.

“Então, o meu apoio deve ter algum peso na cidade de Manaus; eu sei disso. Eu vou fazer valer o peso do meu apoio e a forma como nós vamos nos posicionar para a eleição do ano que vem. Eu já tinha adiantado, já tinha declarado, só que agora eu me reposiciono. Eu me reposiciono para novas análises, novos cenários, novas possibilidades, perspectivas e, acima de tudo, os cenários continuam em análise”, afirmou David.

Vale destacar que os ventos políticos sopram favoráveis ao grupo de David Almeida para 2026. Nos bastidores, ganha força a possibilidade de o governador Wilson Lima disputar uma vaga no Senado, o que exigiria sua descompatibilização do cargo no ano eleitoral. Nesse cenário, o Governo do Amazonas passaria a ser comandado pelo vice-governador Tadeu de Souza (Avante), aliado político e próximo de David Almeida.

Com isso, além da Prefeitura de Manaus, o grupo do prefeito também contaria com influência no Executivo estadual, sob a eventual gestão de Tadeu de Souza, e no Legislativo municipal. Na Câmara Municipal de Manaus (CMM), o presidente David Reis (Avante) lidera a Casa, assegurando ao grupo uma base sólida no plenário.

Amazonas Forte de Novo

Entre entregas de obras e agendas de vistoria, Omar Aziz e David Almeida chegaram a aparecer lado a lado em diferentes ocasiões. A mais simbólica delas, porém, foi o lançamento do movimento Amazonas Forte de Novo, que reuniu prefeitos de municípios do interior, parlamentares federais, estaduais e municipais, em um evento voltado ao fortalecimento do grupo político liderado por Omar Aziz.

O evento, realizado em abril deste ano, ganhou destaque inclusive nas redes sociais do prefeito de Manaus. Em publicação no próprio perfil, David Almeida afirmou que o encontro marcou “um novo capítulo para o nosso Estado: o movimento Amazonas Forte de Novo”.

“Ao lado dos senadores Eduardo Braga e Omar Aziz, e de mais de mil lideranças dos 62 municípios, unimos forças por um Amazonas mais justo, desenvolvido e com oportunidades para todos”, escreveu o prefeito à época.

Apesar disso, o atual movimento de distanciamento e reconfiguração de apoio não é inédito. Em novembro deste ano, David Almeida já havia sinalizado publicamente a possibilidade de rever alianças políticas.

Em uma transmissão ao vivo recente em suas redes sociais, o prefeito afirmou que pode escolher, e até mudar de lado, nas Eleições de 2026, caso persistam o que classificou como desconfianças e um “cerco” de natureza judicial que, segundo ele, vem se intensificando ao seu redor.

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