Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

Roberto Cidade vende ‘Agricultura 4.0’ como fachada política

Proposta do deputado não impõe obrigações ao governo nem define recursos, prazos, metas ou mecanismos de controle.

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(Foto: Herick Pereira)

Manaus (AM) – O presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, Roberto Cidade, resolveu vestir o figurino da modernidade ao apresentar o Projeto de Lei nº 1.013/2025, que promete incentivar a chamada Agricultura 4.0 no Estado.

No papel, o texto fala em inteligência artificial, automação, conectividade e sustentabilidade. Na prática, repete um roteiro já conhecido: muito discurso, pouca objetividade e nenhum compromisso real com execução, orçamento ou fiscalização.

A proposta, que tramita nas comissões da Assembleia Legislativa do Amazonas, não cria obrigações concretas para o governo, não define fontes de financiamento e tampouco estabelece prazos, metas mensuráveis ou mecanismos de controle. É um projeto declaratório — bonito para release, inofensivo para quem governa e inútil para quem produz.

Cidade afirma que mais de 40% das áreas rurais do país não têm acesso adequado à internet e que, sem conectividade, o agricultor fica excluído do crédito, da assistência técnica e da inovação. O diagnóstico está correto.

O problema é que ele próprio comanda um Poder que, há anos, aprova orçamentos bilionários sem garantir prioridade real para conectividade rural, assistência técnica permanente ou infraestrutura básica no interior do Amazonas.

O PL não obriga o Executivo a levar internet ao campo, não garante subsídio, não cria programa estadual específico, não assegura parceria vinculante com universidades ou institutos de pesquisa e nem sequer define quem vai pagar a conta dessa “revolução tecnológica”. Agricultura 4.0 sem internet, sem estrada, sem energia estável e sem extensão rural não passa de retórica vazia.

Outro ponto explorado no discurso é a “fixação da juventude no campo”. Mais uma promessa reciclada. Jovens deixam as comunidades rurais não por falta de drones ou big data, mas pela ausência de renda, políticas públicas continuadas, escolas de qualidade, saúde e acesso a mercados. Nada disso é enfrentado pelo projeto.

Proposta genérica

Como presidente da Aleam, Roberto Cidade concentra poder político suficiente para ir além de propostas genéricas. Poderia, por exemplo, condicionar a aprovação do orçamento à ampliação da conectividade rural, exigir metas do governo, convocar secretários para explicar o abandono do setor primário ou fiscalizar de forma rigorosa programas já existentes. Não faz. Prefere protocolar um projeto amplo, abstrato e confortável — que não confronta o Executivo e rende discurso moderno em eventos oficiais.

No fim, o PL da Agricultura 4.0 revela menos compromisso com o agricultor e mais preocupação com marketing político. Enquanto o campo segue isolado, sem internet, sem crédito efetivo e sem assistência técnica, a Aleam produz leis que não saem do papel.

Tecnologia de verdade exige investimento, cobrança e coragem política, três coisas que o projeto de Roberto Cidade não entrega.

 

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