Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

‘Sem navegação, gente não trafega, navega’, diz Plínio Valério ao criticar privatização de rios

Para o senador amazonense, o debate ultrapassa a questão econômica e atinge diretamente a soberania brasileira sobre a Amazônia.

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(Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)

Manaus (AM) – O senador da República pelo Amazonas, Plínio Valério (PSDB), fez críticas à proposta de privatização de hidrovias na Amazônia e afirmou que a medida comprometeria a soberania nacional e a sobrevivência das populações ribeirinhas.

“Sem estradas, gente não trafega, navega”, declarou o parlamentar ao destacar a realidade logística do Estado. Segundo ele, diferentemente de outras regiões do País, no Amazonas os rios são as verdadeiras vias de circulação.

“Nossas estradas, que comandam nossas vidas, serão comandadas por estrangeiros. Na Amazônia, os rios comandam as nossas vidas. No Amazonas, a gente não trafega, a gente navega”, enfatizou.

Senador alerta para pedágio a ribeirinhos no Rio Madeira e no Rio Amazonas

Durante o pronunciamento, o senador demonstrou preocupação com a possibilidade de cobrança de pedágio sobre a navegação em rios estratégicos, como o Rio Madeira, por onde passa grande parte da produção de grãos do Amazonas, e o Rio Amazonas, principal artéria fluvial da região.

“Você imagina o que é o ribeirinho pagando pedágio para levar sua vida normal, como fez seu bisavô, seu avô, seu pai. No Madeira, por onde passa todo o produto, todos os grãos do Amazonas, e também meus conterrâneos ribeirinhos, que na sua canoa, no seu motor aberto, vão ter que pagar pedágio se essa loucura for adiante”, alertou Plínio Valério.

O posicionamento ocorre após o governo federal revogar, nesta segunda-feira (22), o decreto que autorizava a criação de hidrovias nos rios Rio Tapajós, Rio Madeira e Rio Tocantins, voltadas principalmente ao escoamento de grãos, como a soja.

A decisão foi anunciada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, ao lado da ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, após reunião com representantes indígenas do Baixo Tapajós, no Palácio do Planalto, em Brasília.

‘Isso envolve soberania nacional’

Para o senador amazonense, o debate ultrapassa a questão econômica e atinge diretamente a soberania brasileira sobre a Amazônia.

“Isso aqui envolve a soberania nacional. Como amazonense e por estar senador da República, eu agradeço a Deus por poder estar dizendo isso aqui. Você, brasileiro e brasileira, precisa se preocupar. Se não conosco, com o povo que sofre e não ganha nada por cuidar da Amazônia. Mas com a Amazônia, que é sua, que é brasileira”, declarou.

 

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