No documento, a entidade afirma que houve disparidade na aplicação de medidas cautelares. Segundo a associação, dois soldados da Polícia Militar foram presos de forma célere após atropelarem dois cachorros no bairro Novo Aleixo, Zona Norte da capital. Os animais não resistiram aos ferimentos e morreram.
Já no caso ocorrido na última sexta-feira, em uma rua do condomínio Ephigênio Sales, na zona Centro-Sul da cidade, a condutora de uma BMW atropelou e matou Ângela Bulbol de Lima. De acordo com a APPBMA, até o momento não foi decretada prisão preventiva da motorista.
“Em episódio amplamente divulgado, policiais militares foram presos por envolvimento no atropelamento de dois animais, que infelizmente vieram a falecer, tendo suas prisões decretadas de forma célere. Já no caso do atropelamento que resultou na morte da senhora Ângela Bulbol, até o presente momento não houve a mesma medida cautelar aplicada à condutora envolvida”, diz trecho da nota.
A Polícia Civil informou, em comunicado, que investiga as circunstâncias do atropelamento da professora, mas não solicitou a prisão preventiva da condutora, cuja identidade ainda não foi oficialmente divulgada. Conforme a corporação, a motorista poderá responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Na avaliação da APPBMA, não é possível relativizar responsabilidades, e a legislação deve ser aplicada de forma igualitária a todos os cidadãos. A entidade sustenta que, nos dois casos, deveria haver tratamento isonômico por parte das autoridades competentes, independentemente da condição profissional dos envolvidos.
Confira a NOTA:
“A APPBMAM – Associação das Praças da Polícia e Bombeiro Militar do Amazonas, vem a público manifestar profunda indignação diante da evidente sensação de desigualdade na aplicação da lei em casos recentes que chocaram a sociedade amazonense.
Em um episódio amplamente divulgado, policiais militares foram presos por envolvimento no atropelamento de 2 animais que infelizmente vieram a falecer, tendo suas prisões decretadas de forma célere. Já no caso do atropelamento que resultou na morte da senhora Ângela Bulbol, até o presente momento não houve a mesma medida cautelar aplicada à condutora envolvida.
Não se trata de minimizar qualquer fato ou relativizar responsabilidades. Toda vida importa. Todo excesso deve ser apurado. Toda conduta irregular deve ser investigada e punida nos termos da lei. No entanto, o que causa perplexidade é a aparente diferença de tratamento.
A sociedade questiona: por que em um caso a prisão é imediata e no outro não? Quais critérios estão sendo utilizados? A lei deve ser aplicada com isonomia, independentemente de quem esteja envolvido – seja agente público, seja cidadão comum.
A APPBMAM defende que haja rigor, transparência e igualdade na condução de todos os processos. A justiça não pode ter dois pesos e duas medidas. Se houver responsabilidade, que ela seja apurada e punida conforme determina a legislação. Mas que isso ocorra de forma equilibrada e coerente.
Reafirmamos nosso compromisso com a legalidade, com a valorização dos profissionais de segurança pública e, acima de tudo, com o princípio constitucional da igualdade perante a lei.
Manaus, 23 de fevereiro de 2026.”