Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Após quase 10 anos, envolvidos em rebelião na Cadeia Raimundo Vidal Pessoa recebem penas que superam 300 anos

Crimes ocorreram em janeiro de 2017, durante retaliação ligada à crise no sistema prisional do Amazonas.

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(Foto: Raphael Alves /TJAM)

Manaus (AM) – O Conselho de Sentença do Tribunal do Júri considerou os réus culpados pelos assassinatos e pelas tentativas de homicídio praticadas na madrugada de 8 de janeiro de 2017, no interior da unidade prisional, que funcionava na avenida Sete de Setembro, Centro da capital amazonense, e atualmente está desativada.

Com a decisão, Janderson foi condenado a 282 anos de prisão. Ronildo recebeu pena de 36 anos, e Jones foi sentenciado a 50 anos de reclusão. Os três permanecem presos e iniciarão a execução provisória da pena a partir da publicação da sentença, da qual ainda cabe recurso de apelação.

Os réus foram responsabilizados pelos homicídios qualificados consumados contra Tássio Caster de Souza, Rildo Silva do Nascimento, Fernandes Gomes da Silva e Rubiron Cardoso de Carvalho. Também foram condenados pelas tentativas de homicídio contra Márcio Pessoa da Silva, Anderson Gustavo Ferreira da Silva, Omar Melo Filho, Leandro da Silva Araújo, Bruno Queiroz Ribeiro e Fabiano Pereira da Silva.

Durante o julgamento, os três acusados foram apresentados em plenário. Janderson e Jones optaram por responder às perguntas no interrogatório. Já Ronildo exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio.

A sessão foi presidida pelo juiz titular da 1.ª Vara do Tribunal do Júri, Fábio Olintho de Souza. Na acusação, atuaram os promotores de Justiça Clarissa Moraes Brito e Thiago de Melo Roberto Freire, representando o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE/AM).

Processo dividido

O julgamento realizado na semana passada foi o segundo da Ação Penal n.º 0211549-42.2017.8.04.0001, que apura os crimes relacionados à rebelião na antiga unidade prisional. O primeiro júri, ocorrido em 3 de julho do ano passado, resultou na condenação de João Pedro de Oliveira Rosa Rodrigues a 168 anos de prisão.

Outros réus também serão submetidos a julgamento conforme cronograma do Tribunal do Júri. Entre os dias 4 e 8 de maio deste ano, devem ir a júri Fabrício Duarte Araújo, Rômulo Brasil da Costa (conhecido como “LH”), Herrison Ilemy da Silva Lobato (“Jow Jow”) e Ailton Santos da Silva (“Major”). Já entre 29 de junho e 3 de julho de 2026, estão previstos os julgamentos de Laerte Maciel Lopes Júnior (“Catatau”), Eduardo Sousa Ferreira (“Fantasma”) e Fábio dos Santos Taveira (“Fabinho”).

A rebelião

De acordo com as investigações e a denúncia apresentada pelo Ministério Público, a rebelião na Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa foi motivada como retaliação à chacina registrada dias antes no Complexo Prisional Anísio Jobim (Compaj), também em Manaus. Na ocasião, cerca de 56 detentos foram mortos em confronto entre integrantes de facções rivais.

Na antiga Vidal Pessoa, os crimes ocorreram por volta das 2h30 da madrugada. Segundo os autos, o ataque foi previamente planejado. As luzes da unidade teriam sido apagadas cerca de dez minutos antes do início das agressões, o que garantiu que os executores agissem sob total escuridão, dificultando a vigilância e a defesa das vítimas.

A rebelião deixou quatro mortos e seis pessoas feridas por tentativas de homicídio, em um dos episódios que marcaram a crise no sistema prisional do Amazonas em 2017.

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