(Foto: Reprodução/Tv Globo)
Manaus (AM) – O caso que investiga a morte do menino Benício ganhou novos desdobramentos após a defesa da médica Juliana Brasil afirmar que uma falha no sistema eletrônico do Hospital Santa Júlia pode ter alterado automaticamente uma prescrição médica, influenciando diretamente no atendimento prestado à criança.
De acordo com o advogado Sérgio Figueiredo, a profissional teria prescrito adrenalina por inalação, mas o sistema hospitalar teria modificado o registro para administração intravenosa. A mudança, segundo ele, não foi feita manualmente pela médica.
“O programa alterou automaticamente a via de administração da medicação. Isso precisa ser investigado com profundidade técnica”, afirmou o advogado.
Sistema teria sido corrigido após o caso
A defesa sustenta ainda que o hospital teria atualizado o sistema após o ocorrido, o que dificultaria a reprodução do erro. Segundo o advogado, o vídeo apresentado por Juliana Brasil, que demonstra a suposta falha, foi gravado em outra unidade de saúde justamente porque o sistema original já não estaria mais disponível no hospital onde o caso aconteceu.
“Eles fizeram uma correção no programa. Por isso, não conseguimos mais demonstrar o erro no mesmo ambiente”, declarou.
Questionamentos sobre perícia
Outro ponto levantado pela defesa é a qualidade da perícia realizada até o momento. Para o advogado, a análise foi superficial e não investigou aspectos fundamentais do sistema, como possíveis alterações em códigos internos.
“Não basta verificar se o sistema funciona hoje. É preciso saber o que foi modificado no dia ou logo após o ocorrido”, disse.
A defesa pede uma nova perícia mais aprofundada, capaz de identificar eventuais mudanças estruturais no software utilizado pelo hospital.
Histórico de falhas no sistema
Ainda segundo a defesa, há registros de que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já teria emitido notificações relacionadas a falhas no sistema TASY, utilizado por diversas unidades hospitalares, incluindo o Santa Júlia.
A alegação reforça a tese de que o erro pode não ter sido um caso isolado, mas parte de um problema sistêmico.
Polícia investiga possível adulteração de prova
Em contraponto, a Polícia Civil aponta indícios de que o vídeo apresentado pela médica pode ter sido manipulado. O delegado responsável pelo caso, Marcelo Martins, afirma que mensagens extraídas do celular da investigada indicam que ela teria solicitado e pago pela produção de um vídeo editado.
Nos áudios, segundo a investigação, Juliana menciona a necessidade de alguém para gravar e editar o material, afirmando posteriormente que receberia o conteúdo “já alterado”.
Para a polícia, essa conduta pode caracterizar tentativa de fraude processual e reforça a suspeita de dolo eventual, quando se assume o risco de provocar um resultado grave, como a morte.
Caso segue sob investigação
O caso permanece em investigação e deve avançar com novos pedidos de perícia e análise técnica do sistema hospitalar. Enquanto a defesa busca comprovar a existência de falha tecnológica, a polícia concentra esforços em apurar a conduta da médica e a possível manipulação de provas.
A conclusão do inquérito será determinante para esclarecer as circunstâncias da morte de Benício e definir eventuais responsabilidades no caso.





