(Foto: Divulgação /Redes sociais)
Manaus (AM) – Durante cinco visitas técnicas realizadas entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, peritos do Instituto de Criminalística analisaram o sistema eletrônico de prescrição médica do Hospital Santa Júlia, em Manaus.
A equipe avaliou registros, banco de dados, capturas de tela, vídeos e realizou simulações controladas para verificar o funcionamento da plataforma Tasy EMR, utilizada pelos médicos da unidade.
Segundo o laudo, ao selecionar o medicamento “Adrenalina (Epinefrina) 1 mg/ml inj.”, o sistema sugere automaticamente alguns campos, como dose, unidade de medida e a via intravenosa. No entanto, os peritos destacaram que essa configuração é apenas um padrão e pode ser alterada manualmente pelo médico antes da liberação da prescrição para a farmácia, sem apresentar falhas ou bloqueios.
Durante os testes, foi possível modificar a via de administração de intravenosa para inalatória sem que o sistema apresentasse erros. Além disso, não foram encontrados registros de instabilidade, falhas técnicas ou problemas de processamento no período analisado. O laudo também aponta que a configuração padrão do sistema pode ser ajustada pela administração do hospital.
A perícia foi solicitada no âmbito do inquérito que investiga a morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, ocorrida em novembro de 2025, após atendimento médico no hospital. Em dezembro, a defesa da médica Juliana Brasil alegou que a prescrição de adrenalina intravenosa teria sido causada por uma falha no sistema eletrônico.
Com a conclusão do laudo, o delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), afirmou que não foi identificado nenhum defeito técnico no sistema. “O laudo concluiu que não tem nenhum defeito no sistema e que a via de administração é selecionada pelo médico, não há troca automática”, disse.
A polícia informou que o resultado da perícia deve orientar as próximas diligências da investigação, que apura possíveis responsabilidades no atendimento médico. O g1 informou que tenta contato com a defesa da médica para comentar o posicionamento após a divulgação do laudo.
A morte de Benício ocorreu no dia 22 de novembro de 2025. Conforme o boletim de ocorrência, a criança deu entrada no hospital com tosse, recebeu a aplicação de adrenalina, apresentou reações imediatas, foi encaminhada à UTI, sofreu paradas cardiorrespiratórias e morreu.
LEIA MAIS:





