Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Cenário

MPF cobra dados sobre vítimas da ditadura no Amazonas após décadas de omissão

Órgãos públicos têm 30 dias para responder; iniciativa expõe falhas históricas na apuração de crimes do regime militar na região.

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(Foto: Divulgação /Arquivo Nacional)

Manaus (AM) – O Ministério Público Federal (MPF) abriu um novo procedimento para levantar informações sobre mortos, torturados e desaparecidos durante a ditadura militar (1964–1985) no Amazonas. O órgão enviou ofícios a instituições federais, estaduais e municipais, que têm 30 dias para responder, sob risco de responsabilização.

Foram acionados ministérios, o Comando Militar da Amazônia, o governo estadual, a prefeitura de Manaus, a Assembleia Legislativa, universidades e outros órgãos públicos. O objetivo é reunir dados que deveriam estar organizados há décadas, mas seguem dispersos ou inexistentes.

A medida escancara um problema antigo: a falta de transparência e de compromisso do Estado com a memória histórica, especialmente na região amazônica. Enquanto o Sudeste concentra a maior parte das investigações já conhecidas, episódios graves ocorridos no Norte seguem pouco documentados.

Um dos focos do MPF é a repressão contra povos indígenas, historicamente ignorada. Há registros de violência, expulsões e mortes ligadas a projetos do regime militar na Amazônia, mas sem levantamento completo ou reconhecimento oficial.

O procedimento também inclui o mapeamento de ruas e espaços públicos que homenageiam pessoas ligadas à ditadura, um contraste com a ausência de reparação às vítimas.

Embora a iniciativa seja importante, ela evidencia o atraso do país em enfrentar esse passado. Mais de 40 anos após o fim do regime, o Brasil ainda depende de cobranças formais para acessar informações básicas.

O prazo imposto pelo MPF pressiona respostas imediatas, mas reforça uma questão central: a demora do Estado em lidar com violações graves de direitos humanos.