O tema ganhou destaque durante a 22ª edição do Acampamento Terra Livre, em Brasília, onde lideranças anunciaram ao menos 25 pré-candidaturas indígenas e indigenistas para o próximo pleito.
A iniciativa faz parte de uma articulação nacional liderada pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil para fortalecer a representatividade política e ampliar a chamada “bancada do cocar”.
Pelas novas regras, os partidos deverão distribuir recursos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário de forma proporcional ao número de candidaturas indígenas lançadas.
Além disso, será reservado tempo equivalente na propaganda eleitoral gratuita, o que pode reduzir uma das principais barreiras enfrentadas por esses candidatos: a falta de financiamento e visibilidade.
A decisão do TSE foi tomada em 2024, mas não pôde ser aplicada nas eleições anteriores por causa do prazo legal. Agora, passa a valer integralmente em 2026, sendo vista como um marco para corrigir a sub-representação indígena no Congresso Nacional.
Atualmente, a presença indígena na política institucional ainda é limitada. Não há representantes no Senado e, na Câmara dos Deputados, apenas três parlamentares indígenas foram eleitos no último pleito, entre eles Sonia Guajajara e Célia Xakriabá.
Apesar do avanço, lideranças indígenas apontam que os desafios permanecem. Durante o ATL, foi destacado que mesmo com regras de distribuição proporcional, muitos partidos ainda priorizam candidaturas consideradas mais competitivas, o que pode limitar, na prática, o acesso dos indígenas aos recursos.
Outro ponto de atenção é o crescimento de candidaturas indígenas vinculadas a diferentes correntes políticas. Para representantes do movimento, é necessário avaliar o compromisso desses candidatos com pautas como demarcação de terras, proteção ambiental e direitos sociais.
Além da ampliação da participação política, as lideranças também demonstraram preocupação com propostas em tramitação no Congresso consideradas prejudiciais aos povos originários, como iniciativas que impactam a demarcação de terras indígenas.
A expectativa do movimento é que, com mais recursos e visibilidade, as eleições de 2026 representem um avanço significativo na ocupação de espaços de decisão, fortalecendo a defesa dos direitos indígenas dentro das instituições brasileiras.