(Foto: Divulgação/ Redes Sociais e CMM)
Manaus (AM) – A repercussão da agressão contra um adolescente autista, registrada em vídeo no bairro Ajuricaba, levou a Câmara Municipal de Manaus (CMM) a afastar um de seus servidores e colocou sob questionamento um projeto que pode beneficiar uma entidade ligada ao agressor.
O professor de jiu-jítsu Ângelo Márcio Bezerra Carioca foi exonerado do cargo de assessor parlamentar do gabinete do vereador Ubirajara Rosses (PL), após as imagens da violência ganharem grande repercussão nas redes sociais e provocarem indignação pública.
A crise, no entanto, vai além da exoneração. Nos bastidores da Câmara, vereadores articulam para impedir a aprovação do projeto que concede o título de utilidade pública ao Clube Carioca Team de Lutas, organização da qual Ângelo Carioca é apontado como uma das principais lideranças, apesar de não constar oficialmente como dirigente.
A proposta foi apresentada pelo próprio vereador Ubirajara Rosses e deve voltar à pauta na primeira sessão legislativa após o recesso parlamentar, marcada para a próxima segunda-feira (3). Diante da repercussão do caso, a tendência é que o projeto enfrente resistência entre os parlamentares.
Em entrevista à Rede Tiradentes nesta quinta-feira (30), Rosses afirmou que repudiou a conduta do então assessor e determinou sua exoneração assim que tomou conhecimento do episódio. O vereador declarou que o fato de a vítima ser uma pessoa com transtorno do espectro autista (TEA) torna o caso ainda mais sensível, mas ressaltou que a violência seria injustificável em qualquer circunstância.
Segundo o parlamentar, por ser faixa-preta e possuir treinamento técnico, o professor tinha condições de controlar a situação sem recorrer à agressão física. Rosses também afirmou que Ângelo Carioca deverá responder judicialmente pelos atos.
O vereador destacou ainda que o ex-assessor desenvolvia projetos sociais voltados a crianças e adolescentes autistas por meio da academia de jiu-jítsu. Para ele, porém, essa atuação não elimina a gravidade da conduta registrada em vídeo nem afasta a responsabilização pelos fatos.
O caso continua sendo investigado pelas autoridades e reacendeu o debate sobre os critérios para a concessão de títulos de utilidade pública a entidades que recebem reconhecimento do poder público, especialmente quando seus representantes passam a responder por episódios de grande repercussão social.
Confira o vídeo:
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