(Foto: Rodrigo Santos/SES-AM)
Manaus (AM) — Cinco nomes na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) concentram quase R$ 42 milhões em emendas parlamentares com pagamentos registrados para a saúde do Amazonas em 2026, segundo levantamento realizado pelo Portal AM1 a partir dos dados de execução e pagamento do Fundo Estadual de Saúde (FES). Apesar dos valores, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) tem recebido denúncias de profissionais da saúde com salários atrasados.
No topo do ranking das emendas aparece Cristiano D’Angelo, com R$ 9,22 milhões em pagamentos registrados. Em seguida estão George Lins, com R$ 9 milhões; o ex-deputado Roberto Cidade (atual governador), com R$ 8 milhões; Péricles, com R$ 7,9 milhões; e Wilker Barreto, com aproximadamente R$ 7,87 milhões.
Juntos, os cinco parlamentares somam cerca de R$ 41,99 milhões em pagamentos registrados no recorte analisado.
Recursos foram distribuídos entre municípios
Os valores não ficaram concentrados em um único destino. Os registros mostram emendas destinadas a diferentes municípios e fundos municipais de saúde.
George Lins, por exemplo, aparece com R$ 3 milhões destinados ao Fundo Municipal de Saúde de Tefé. O registro apresenta empenho, liquidação e ordem bancária para o mesmo valor.
Roberto Cidade aparece com R$ 3 milhões destinados a Autazes e outros R$ 3 milhões para Manicoré. As emendas foram destinadas enquanto ele ainda estava com mandato na Aleam. Em maio de 2026, ele renunciou ao cargo para assumir como governador do Amazonas.
Os números mostram, portanto, uma concentração relevante de recursos pagos entre cinco parlamentares, embora os dados analisados não indiquem, por si só, qualquer irregularidade na destinação ou na execução das emendas até o momento.
Saúde está sob atenção dos órgãos de controle
Os pagamentos ocorrem em um momento de atenção dos órgãos de controle sobre a gestão administrativa e financeira da saúde no Amazonas.
Em 4 de agosto, o Ministério Público do Amazonas (MPAM) reuniu representantes do Estado e de órgãos de controle para discutir a gestão da rede estadual. O encontro ocorreu após denúncias relacionadas a atrasos no pagamento de médicos e também envolveu questões relacionadas a empresas terceirizadas responsáveis por serviços considerados essenciais.
A atuação do MPAM, contudo, não estabelece relação direta com as emendas parlamentares citadas neste levantamento. Os fatos são apresentados como contextos distintos dentro da gestão dos recursos e dos serviços de saúde no Estado, hoje sob o comando de Roberto Cidade e administrada pelo secretarial estadual de saúde,
Pagamentos ocorreram em ano eleitoral
Outro ponto que chama atenção é o período dos pagamentos. Os registros analisados correspondem a 2026, ano de eleições estaduais.
O calendário eleitoral, entretanto, não permite afirmar, apenas com base nos dados de execução orçamentária, que os pagamentos tenham relação com estratégia eleitoral ou eventual benefício político aos parlamentares.
O que os registros permitem afirmar é objetivo: quase R$ 42 milhões em emendas parlamentares foram pagos para ações relacionadas à saúde e aparecem concentrados, no recorte analisado, entre cinco deputados.
A distribuição dos recursos para diferentes municípios coloca os pagamentos no centro do debate sobre quem recebe os recursos das emendas, quanto é pago e onde o dinheiro da saúde está sendo aplicado.
LEIA MAIS:





