Manaus, 24 de agosto de 2026
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Manaus, 24 de agosto de 2026

Cenário

Gestão Roberto Cidade ultrapassa a marca de 200 homicídios no Amazonas

Números registrados entre abril e julho colocam violência como uma das principais dores de cabeça do governo

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Crimes colocam a segurança pública entre os principais desafios da gestão Roberto Cidade - (Fotos: Alex Pazuello/Secom e Divulgação)

Manaus (AM) – O Amazonas registrou 218 homicídios entre abril e julho de 2026, período que coincide com os primeiros meses de Roberto Cidade à frente do Governo do Estado. Os dados constam no painel de estatísticas da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).

O levantamento mostra que Manaus concentrou 118 mortes, mais da metade do total registrado no período. Coari aparece na sequência, com 13 homicídios, enquanto Tabatinga registra o terceiro lugar com nove crimes, seguido por outros municípios.

Os dados expõem o tamanho do desafio enfrentado pela atual gestão em uma das áreas mais sensíveis da administração estadual: a segurança pública.

Manaus concentra maioria dos homicídios

Dos 218 homicídios registrados no período analisado, 118 ocorreram em Manaus. O número representa aproximadamente 54% do total.

A concentração dos casos na capital mantém Manaus como principal ponto de pressão sobre as políticas estaduais de segurança, especialmente diante do tamanho da população e da atuação de organizações criminosas em diferentes áreas da cidade.

A SSP-AM disponibiliza os dados criminais por município em sua plataforma oficial de estatísticas. A própria secretaria informa que os números passam por etapas de inclusão, consolidação e homologação antes da divulgação definitiva.

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A maioria dos crimes registrados na região, segundo as investigações policiais, apresenta possível ligação com organizações criminosas e disputas relacionadas ao tráfico de drogas. Um dos casos ocorreu em 13 de julho de 2026, quando um homem identificado como Ivan foi executado com vários disparos e teve o corpo abandonado no Ramal da Suzuki, no Distrito Industrial II, Zona Leste de Manaus.

Segundo a polícia, ao lado do corpo foi encontrado um bilhete com a mensagem: “Morreu por vender drogas roubadas de facção”. As investigações apontaram que a vítima teria sido alvo de uma espécie de “tribunal do crime”, após o suposto desvio e a comercialização de drogas pertencentes a uma organização criminosa que atua na capital.

Além dos homicídios, o mesmo período também registrou cinco feminicídios, cinco latrocínios e quatro casos de lesão corporal seguida de morte. Com isso, o número de mortes violentas chega a 232 no período, conforme dados do painel de estatísticas da SSP-AM.

Segurança é desafio para Roberto Cidade

Roberto Cidade assumiu o Governo do Amazonas de forma interina em 5 de abril de 2026, após a renúncia de Wilson Lima e do então vice-governador Tadeu de Souza para disputar as eleições. Em 4 de maio, Cidade foi eleito pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) para cumprir o mandato-tampão até janeiro de 2027.

Como integrante do mesmo grupo político que comandou o Estado nos anos anteriores, Cidade assumiu uma estrutura de segurança com problemas já existentes, mas passou a ser diretamente cobrado por resultados durante sua gestão.

Anuário da Segurança Pública

O cenário de violência no Amazonas também aparece em levantamentos nacionais. Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) de 2025, Manacapuru apresenta a maior taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) entre os municípios do Amazonas com mais de 100 mil habitantes. Já Parintins registrou a menor taxa entre as cidades do estado que integram esse grupo.

O levantamento considera a população de cada município e calcula a taxa de mortes violentas para cada 100 mil habitantes, permitindo uma comparação proporcional entre cidades de diferentes tamanhos.

Os dados do anuário correspondem a um período diferente do levantamento da SSP-AM utilizado nesta reportagem e, por isso, não devem ser confundidos com os 218 homicídios registrados entre abril e julho de 2026. O levantamento nacional, porém, ajuda a dimensionar o cenário da violência no estado.

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