Manaus, 24 de agosto de 2026
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Manaus, 24 de agosto de 2026

Cenário

Medicina vive o seu ‘pior momento’ na saúde do AM durante o Governo de Roberto Cidade

Mario Vianna critica atrasos de honorários, burocracia e interferências externas na autonomia dos médicos.

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Roberto Cidade e Luis Alberto Saraiva Santos (Foto: Alex Gomes/Secom)

Manaus (AM) – O presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Mario Vianna, afirmou, no últim fim se semana, que a medicina atravessa “um dos piores momentos” no Amazonas e no Brasil. Atualmente, a saúde pública no Amazonas é administrada pelo governador Roberto Cidade (UB), que nomeou Luis Alberto Saraiva Santos para comandar a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM).

Em manifestação dirigida à categoria, ele denunciou atrasos de honorários, excesso de burocracia e interferências que, segundo ele, estariam comprometendo a autonomia dos médicos e a segurança dos pacientes.

Vianna classificou o cenário como “um exercício diário de superação do absurdo” e afirmou que profissionais precisam gastar tempo justificando decisões clínicas que considera respaldadas pela evidência científica. O posicionamento foi divulgado por meio de vídeo no perfil do Sindicato dos Médicos do Amazonas (simeamoficial).

Segundo o presidente do Simeam, os problemas não se limitam à remuneração. Ele criticou também normas administrativas e decisões externas que, em sua avaliação, interferem na atividade médica sem considerar a complexidade do atendimento.

“A ciência e a ética médica não se curvarão à burocracia”, afirmou.

 

Vianna também fez um apelo para que a categoria participe das eleições e escolha representantes “verdadeiramente compromissados” com as causas dos médicos, da saúde e da população.

A manifestação coloca a crise da categoria no debate eleitoral e cobra dos candidatos respostas para problemas que, segundo o sindicato, ultrapassam a questão salarial e atingem diretamente a qualidade do atendimento.

Confira o posicionamento na íntegra:

“Colegas médicos, o exercício da nossa profissão atingiu um ponto crítico. Atuar na medicina hoje transformou-se em um exercício diário de superação do absurdo, onde a arte de diagnosticar e tratar foi sufocada por exigências burocráticas descabidas e ingerências externas, além de honorários aviltados e sempre atrasados em todas as relações de trabalho, que desrespeitam anos de estudo, residência médica e prática à beira do leito. Chegamos ao cúmulo de ter que gastar o nosso tempo justificando decisões clínicas óbvias e consagradas pela evidência científica para atender a parâmetros formais de quem nunca encostou a mão em um paciente. Quando a autonomia do médico é cerceada por despachos, normas puramente administrativas ou entendimentos jurídicos que ignoram a complexidade do ato médico, não é apenas a nossa dignidade profissional que é atacada, é a segurança e a saúde de toda uma população do estado do Amazonas e do Brasil que ficam comprometidas. Tribunais e gabinetes burocráticos não diagnosticam, não operam e não carregam sobre os ombros o peso da responsabilidade civil e moral por uma vida. A autoridade técnica e o saber científico pertencem ao médico. Reduzir a nossa atuação ao papel de meros executores burocráticos de decisões alheias é uma usurpação do nosso ofício que não podemos aceitar em silêncio. O Sindicato dos Médicos do Amazonas declara categoricamente que não aceitaremos o apequenamento da nossa profissão. Exigimos o respeito irrestrito às nossas prerrogativas e à nossa independência técnica. Defender a autonomia médica não é uma defesa corporativista, é a salvaguarda de um compromisso ético inegociável com a vida de cada paciente que confia na nossa conduta. Permaneceremos firmes e de pé. A ciência e a ética médica não se curvarão à burocracia. Também faço um apelo do fundo do meu coração à classe médica brasileira. Unamos-nos para preservarmos a dignidade da nossa nobre profissão. Que as entidades médicas liderem essa luta e que cada médica e médico desse país compreendam de vez que, unidos, somos mais fortes. Por fim, mesmo vivenciando um dos piores momentos da classe médica no nosso Estado e no Brasil, tenhamos a consciência da nossa responsabilidade social. E continuemos a dar o melhor de nós à sociedade brasileira. E que participemos desse processo eleitoral que está por vir, ajudando a escolher representantes verdadeiramente compromissados com nossas causas, a saúde e a vida do povo brasileiro.”

Veja o vídeo completo:

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