Manaus, 27 de agosto de 2026
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Manaus, 27 de agosto de 2026

Cenário

Defensoria cobra Governo do AM após ‘confusão’ na gestão da Ponte Phelippe Daou

Órgão deu 15 dias para Estado explicar autorizações de eventos nos últimos dois anos e apontou riscos à mobilidade, segurança e atendimentos de emergência.

(Foto: Chico Batata/Secom)

Manaus (AM) – A Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) cobrou explicações de órgãos do Governo do Estado sobre a autorização e fiscalização de eventos na Ponte Jornalista Phelippe Daou, que liga Manaus aos municípios de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão. A medida ocorre após a instituição identificar o que classificou como uma “confusão administrativa” sobre as responsabilidades pela gestão desse tipo de utilização da ponte.

A cobrança consta na Portaria nº 005/2026-DPEIC-DPEAM, referente ao Processo nº 260529.001.034, que instaurou um Procedimento Coletivo para apurar as condições de uso e gestão da estrutura.

Seinfra, Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), Polícia Militar e Corpo de Bombeiros estão entre os órgãos estaduais que deverão prestar esclarecimentos. O Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), ligado à Prefeitura de Manaus, também foi oficiado.

A Defensoria estabeleceu prazo de 15 dias para que os órgãos informem qual é a competência legal e administrativa de cada um para autorizar, fiscalizar e acompanhar eventos realizados na ponte.

Também deverão ser apresentados os procedimentos utilizados na análise dos pedidos, incluindo os critérios para avaliação dos riscos e impactos, além do registro das autorizações concedidas nos últimos 24 meses e das respectivas justificativas.

Defensoria aponta ‘confusão administrativa’

A abertura do procedimento ocorreu depois de uma reunião realizada em 28 de maio, com representantes de diferentes órgãos e entidades das administrações estadual e municipal.

Segundo a portaria, durante o encontro ficou exposta uma “confusão administrativa” acerca da competência para autorizar, fiscalizar e acompanhar a realização de eventos na ponte.

Para a Defensoria, a indefinição gera um cenário de insegurança jurídica e administrativa na gestão do equipamento público.

A situação ganha peso porque a Ponte Phelippe Daou é a única ligação terrestre entre Manaus e Iranduba e integra o acesso rodoviário a Manacapuru e Novo Airão, sendo utilizada diariamente para deslocamento de pessoas e escoamento da produção.

Risco aos atendimentos de emergência

Outro ponto destacado pela DPE-AM é o impacto provocado pela interdição da estrutura para eventos.

Conforme registrado na portaria, bloqueios, mesmo que parciais, podem gerar “graves impactos” na mobilidade e na segurança pública e, principalmente, comprometer atendimentos emergenciais de saúde, polícia e Corpo de Bombeiros.

O documento afirma que as restrições podem afetar o tempo de resposta dos serviços de emergência e colocar vidas em risco.

A afirmação consta da fundamentação utilizada pela própria Defensoria para instaurar o procedimento e não representa, até o momento, conclusão sobre eventual responsabilidade específica de qualquer dos órgãos envolvidos.

Eventos podem deixar de ser autorizados

A portaria também registra que houve entendimento consensual entre os órgãos participantes da reunião de que eventos não deveriam ser autorizados na Ponte Phelippe Daou diante dos impactos sobre a mobilidade e a segurança coletiva.

Após receber as respostas, a Defensoria pretende elaborar uma recomendação às autoridades competentes para orientar que não sejam autorizados eventos esportivos, culturais ou de outra natureza que provoquem interdição total ou parcial da ponte.

O procedimento deverá ainda permitir que a DPE-AM identifique quais órgãos concederam autorizações nos últimos dois anos e quais justificativas foram utilizadas para permitir eventos em uma estrutura considerada estratégica para a ligação terrestre entre Manaus e municípios da Região Metropolitana.

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