O episódio da falta de oxigênio também levou Marcellus Campêlo a ser processado pelo Ministério Público Federal (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
Manaus (AM) – O ex-secretário de Saúde do Amazonas Marcellus Campêlo tenta transformar sua passagem pelo governo Wilson Lima em argumento eleitoral para chegar à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
Ao explicar por que decidiu disputar uma vaga de deputado estadual em 2026, Campêlo afirmou que sua atuação no governo, onde diz ter executado mais de 400 obras e programas, teria sido responsável por qualificá-lo para o cargo.
“Eu creio que executei muitas coisas e por isso coloco o meu nome à disposição”, afirmou.
O discurso eleitoral, porém, contrasta com o histórico controverso de Campêlo justamente na área da Saúde, pasta que comandou durante um dos períodos mais críticos da história recente do Amazonas.
Campêlo é engenheiro civil e não tinha experiência na área da Saúde quando assumiu a secretaria em 2020. Durante sua gestão, o Amazonas enfrentou o colapso provocado pela falta de oxigênio nos hospitais na segunda onda da Covid-19.
Da crise do oxigênio à Operação Sangria
O episódio da falta de oxigênio também levou Campêlo a ser processado pelo Ministério Público Federal por suposta omissão na adoção de medidas para evitar o desabastecimento. À época, ele afirmou ter sido surpreendido pelo problema e que os assuntos relacionados ao oxigênio eram, até janeiro daquele ano, uma “novidade” para ele.
Naquele mesmo período, Campêlo acabou preso temporariamente pela Polícia Federal durante a Operação Sangria, investigação que apurava suspeitas de fraude em licitação, peculato e envolvimento com organização criminosa relacionadas à contratação de um hospital de campanha.
A prisão foi temporária e não significa condenação. As acusações devem ser tratadas como parte das investigações registradas à época.
Agora, cinco anos depois de deixar o comando da Saúde, Campêlo apresenta a própria passagem pelo governo como um dos principais motivos para pedir o voto do eleitor.
O contraste eleitoral
A questão que fica para o eleitor é simples: a experiência que Marcellus apresenta como credencial eleitoral é a mesma gestão que esteve no centro de uma das maiores crises sanitárias do Amazonas e de investigações policiais durante a pandemia.
Agora, Campêlo quer levar essa experiência para dentro da Assembleia Legislativa. O problema é que, quando se olha para trás, o currículo que ele apresenta como trunfo também carrega alguns dos episódios mais delicados da gestão Wilson Lima.
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