Manaus, 9 de setembro de 2026
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Manaus, 9 de setembro de 2026

Cenário

Aleam aprova em segundos projeto fiscal do Governo que estava fora da pauta

Marcelo Ramos questiona velocidade da votação de proposta do Governo que altera programa fiscal do Amazonas.

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(Foto: Danilo Mello/Aleam)

Manaus (AM) — Em questão de segundos, a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) despachou como extrapauta o Projeto de Lei nº 523/2026, enviado pelo Governo do Estado para autorizar a adesão ao Programa de Acompanhamento e Transparência Fiscal (PAFT).

A velocidade da votação virou alvo de críticas do ex-deputado federal Marcelo Ramos, que questionou nesta quarta-feira (9/9) o nível de discussão dado pela Assembleia a uma proposta relacionada à política fiscal do Estado.

“Pasmem, em exatos 45 segundos, no item extrapauta, a Assembleia Legislativa aprovou”, afirmou Ramos.

A sequência da sessão mostra o deputado Delegado Péricles (PL) fazendo a leitura da matéria como extrapauta. Logo depois, o presidente da Aleam, Adjuto Afonso (União Brasil), colocou o texto em discussão e votação.

“Em discussão, em votação, deputados que aprovam permaneçam como estão. Aprovado”, declarou Adjuto.

Na sequência, Péricles leu a etapa referente à redação final do PL nº 523/2026. Adjuto colocou novamente a matéria em votação e anunciou a aprovação.

O procedimento durou poucos segundos e não registrou, nesse intervalo, discussão em plenário sobre o mérito da proposta.

Marcelo questiona votação em 45 segundos

Para Marcelo Ramos, o tempo destinado à votação não foi compatível com os possíveis efeitos fiscais da proposta. O ex-deputado afirmou que questões relacionadas às condições, contrapartidas e consequências da adesão deveriam ter sido discutidas em plenário antes da aprovação.

“Ainda que fosse um projeto sério, seria uma vergonha a aprovação em 45 segundos sem que nenhum deputado levante a voz para perguntar para que o dinheiro, quais são as condições, qual a contrapartida que o Estado está oferecendo”, criticou.

Marcelo também direcionou críticas ao presidente da Aleam, Adjuto Afonso (União Brasil), e ao deputado Delegado Péricles (PL), responsável pela leitura da matéria durante a sessão. Ele ainda relacionou o momento da votação à ausência da deputada Alessandra Campêlo, sem apresentar elementos que comprovem que a apreciação tenha sido definida em razão da ausência da parlamentar.

Na avaliação de Marcelo Ramos, o episódio também levanta questionamentos sobre a independência da Assembleia em relação ao grupo político que comanda o Governo do Amazonas.

Efeitos financeiros entram na crítica

Além do rito, Marcelo Ramos questionou os possíveis efeitos financeiros da adesão do Amazonas ao Programa de Acompanhamento e Transparência Fiscal (PAFT).

O ex-deputado classificou a medida como um “regime de recuperação fiscal” e afirmou que o mecanismo permitiria ao Estado suspender pagamentos de dívidas com a União ou que possuem garantia federal. Ele também citou um passivo estadual de R$ 10 bilhões e afirmou que compromissos seriam transferidos para administrações futuras.

“E sabe quanto é a dívida do Governo do Estado do Amazonas? R$ 10 bilhões que vão ser arrolados para outros governos”, afirmou.

O Projeto de Lei nº 523/2026 autoriza o Governo do Amazonas a aderir ao PAFT, previsto na Lei Complementar Federal nº 178/2021.

A Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz-AM) apresenta outra avaliação sobre a medida. Segundo a pasta, a conversão do atual Programa de Ajuste Fiscal (PAF) em PAFT amplia mecanismos de transparência e governança das contas públicas, poderá proporcionar maior espaço fiscal ao Amazonas a partir de 2027 e não representa, por si só, a contratação de novas dívidas.

O tema já havia sido apresentado aos parlamentares em 26 de agosto, quando o secretário-executivo do Tesouro Estadual da Sefaz-AM, Luiz Otávio da Silva, esteve na Assembleia para explicar a proposta e responder a questionamentos.

A crítica de Marcelo, no entanto, se concentra na etapa de votação. O PL nº 523/2026 entrou como extrapauta e teve a leitura, votação e apreciação da redação final realizadas em cerca de 45 segundos, conforme a sequência registrada na sessão.

Para Marcelo Ramos, diante dos possíveis impactos fiscais que atribui à medida, o projeto deveria ter recebido maior espaço para discussão em plenário antes da aprovação.

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