Manaus, 14 de setembro de 2026
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Manaus, 14 de setembro de 2026

Cenário

Prisões de delegados expõem crise de controle na segurança do Amazonas

Casos envolvendo autoridades da Polícia Civil atingem gestões de Wilson Lima e Roberto Cidade e colocam fiscalização sob questionamento.

: Casos envolvendo delegados da Polícia Civil do Amazonas levantam questionamentos sobre fiscalização - (Fotos: Divulgação/PC-AM)

Manaus (AM) – Uma sequência de prisões e investigações envolvendo delegados da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) expõe uma crise de controle na segurança pública do Estado. Os casos envolvem suspeitas de extorsão, roubo e uso indevido da estrutura policial, enquanto o grupo político liderado pelo ex-governador Wilson Lima e pelo atual chefe do Executivo, Roberto Cidade, utiliza a área como uma de suas principais bandeiras políticas, inclusive na campanha deste ano, em que Cidade disputa a reeleição e Wilson, uma vaga no Senado.

Os casos não significam, necessariamente, que toda a instituição esteja envolvida em irregularidades. Mas levantam questionamentos sobre os mecanismos de fiscalização, o funcionamento da corregedoria e a capacidade do Estado de impedir que agentes públicos utilizem cargos, viaturas, informações e equipes policiais em benefício próprio.

O escândalo na cúpula: caso Samir Freire

Um dos episódios de maior repercussão ocorreu em 2021, com a prisão do delegado Samir Freire, que ocupava o cargo de secretário executivo de Inteligência do governo Wilson Lima.

Freire foi alvo da Operação Garimpo Urbano, deflagrada para investigar um suposto esquema envolvendo monitoramento, extorsão e roubo de ouro. Segundo as investigações, a estrutura da Secretaria Executiva de Inteligência (Seai), incluindo viaturas e servidores, teria sido utilizada para abordar transportadores de minério e praticar crimes.

O caso ganhou dimensão política porque o delegado ocupava uma posição estratégica dentro do governo estadual. À frente de uma área considerada sensível da segurança pública, Freire tinha acesso a informações, estrutura operacional e equipes policiais.

A suspeita de que o aparato estatal teria sido utilizado para a prática de crimes atingiu diretamente a imagem da gestão, que apresentava o fortalecimento da inteligência como uma de suas prioridades.

Extorsão contra empresários em Manaus

A crise envolvendo integrantes da Polícia Civil voltou a ganhar destaque em 2026, com a Operação Dupla Face, do Ministério Público do Amazonas (MP-AM).

A ação resultou na prisão preventiva do delegado Fabiano Rosas, investigado por suposta participação em um esquema de extorsão contra empresários da região da Manaus Moderna. Conforme as investigações, comerciantes teriam sido pressionados a entregar vantagens financeiras indevidas.

Além do delegado, outros dois investigadores foram presos durante a operação.

O caso chama atenção porque envolve uma área de grande circulação comercial de Manaus. Em vez de representar proteção aos comerciantes, a atuação dos agentes investigados teria sido direcionada à obtenção de dinheiro por meio de ameaças e abuso da autoridade policial.

As acusações ainda precisam ser analisadas pela Justiça, mas o episódio reforça os questionamentos sobre a fiscalização interna e sobre a existência de mecanismos capazes de impedir abusos praticados por servidores que atuam diretamente nas ruas e nas delegacias.

Delegado é preso por roubo de ouro em Roraima

Outro caso que ampliou o desgaste da Polícia Civil do Amazonas envolveu o delegado John Allan Cunha Castilho, lotado em Manacapuru.

Ele foi preso em Manaus por uma equipe da Polícia Civil de Roraima, durante uma investigação sobre o roubo de aproximadamente R$ 800 mil e 30 quilos de ouro, ocorrido em Boa Vista. A suspeita era de que o grupo teria utilizado uma falsa abordagem policial para executar o crime.

Durante a ação, um investigador também foi preso, acusado de participação no esquema junto com o delegado.

A investigação ultrapassou os limites do Amazonas e colocou agentes da polícia amazonense no centro de um caso de repercussão interestadual. A suspeita de utilização da condição funcional para simular uma abordagem policial agravou o episódio, já que a autoridade e o conhecimento dos procedimentos de segurança podem ter sido usados para facilitar a ação criminosa.

É importante destacar que as prisões e investigações citadas não representam condenações definitivas. Os envolvidos têm direito à defesa e devem ser considerados inocentes até eventual decisão judicial transitada em julgado.

Ainda assim, os casos produzem um efeito político e institucional relevante. A Polícia Civil é responsável pela investigação de crimes e ocupa posição central no sistema de segurança pública. Quando integrantes da corporação passam a ser investigados por crimes graves, a confiança da população na instituição é diretamente afetada.

A reportagem procurou a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) para esclarecer a situação funcional dos delegados Samir Freire, Fabiano Rosas e John Allan Cunha Castilho, além de confirmar quais permanecem presos e quais foram soltos. Também foram solicitadas informações sobre eventuais afastamentos, procedimentos administrativos e providências adotadas pela instituição. A matéria será atualizada assim que a nota for enviada.

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