(Foto: divulgação)
Manaus (AM) – A Justiça Federal prorrogou por mais 90 dias o afastamento de Claudinei Soares e André Luís Bentes de Souza, ex-diretores da Amazonprev investigados pela Polícia Federal no caso que apura aplicações de R$ 390 milhões de recursos da previdência dos servidores do Amazonas em instituições privadas.
A decisão, assinada nesta quarta-feira (17) pela juíza Ana Paula Serizawa Silva Podedworny, mantém os dois longe das funções enquanto a PF tenta reconstruir quem autorizou, executou e intermediou as operações financeiras colocadas sob suspeita.
Entre os investimentos investigados está a aplicação de R$ 50 milhões no Banco Master, atualmente em liquidação extrajudicial.
Segundo a PF, os R$ 390 milhões foram aplicados em letras financeiras em desacordo com normas de governança e regras federais para investimentos de recursos previdenciários. A investigação também aponta possíveis irregularidades nos procedimentos internos adotados pela Amazonprev.
PF vê risco no retorno
Ao pedir mais 90 dias de afastamento, a Polícia Federal alegou que diligências consideradas essenciais ainda não foram concluídas.
Parte dos materiais apreendidos na operação continua sob análise técnica da Diretoria Técnico-Científica da PF, em Brasília.
Os investigadores sustentaram ainda que o retorno de Claudinei e André poderia permitir acesso a documentos, sistemas internos e servidores ligados diretamente aos fatos investigados.
A juíza considerou que esse acesso privilegiado poderia comprometer a coleta de provas do inquérito e até outras investigações que eventualmente sejam abertas a partir dos elementos encontrados.
O Ministério Público Federal também defendeu a manutenção dos afastamentos.
R$ 620 mil entram no radar
Além das aplicações milionárias, a PF investiga R$ 620,1 mil recebidos pelos três ex-diretores de uma empresa sediada em Niterói, no Rio de Janeiro.
Segundo os investigadores, as transferências ocorreram entre junho e dezembro de 2024, período em que também foram realizadas operações financeiras atualmente sob investigação.
A PF trabalha com a hipótese de que os pagamentos possam ter sido uma contrapartida pelos investimentos considerados irregulares. A suspeita ainda está sob investigação e não representa conclusão sobre responsabilidade criminal.
Na decisão que autorizou buscas contra os investigados, a Justiça classificou as movimentações financeiras identificadas como atípicas e “sem justificativa aparente”, apontando a existência, naquele estágio da investigação, de indícios relacionados ao crime de corrupção.
Terceiro ex-diretor
Cláudio Marins de Melo, ex-diretor de Administração e Finanças e também alvo da operação, não teve o afastamento prorrogado.
A Amazonprev informou que ele foi exonerado em 3 de julho de 2024. A juíza determinou, porém, que a fundação apresente documentos comprovando a data e esclareça as circunstâncias do desligamento.
A situação poderá ser reavaliada caso a PF apresente elementos concretos que justifiquem nova cautelar.
A prorrogação dos afastamentos mostra que, meses após o início da investigação, a PF ainda busca esclarecer a cadeia de decisões por trás de R$ 390 milhões da previdência estadual e a eventual relação entre as aplicações e os pagamentos identificados aos antigos dirigentes.
Claudinei, André e Cláudio são investigados, e as suspeitas apuradas pela Polícia Federal não equivalem a condenação. A investigação continua em andamento.
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