(Foto: Divulgação/Assessoria)
Manaus (AM) – O candidato a vice-governador na chapa de Roberto Cidade (União Brasil), Serafim Corrêa (PSB), afirmou que pessoas em situação de rua “não querem sair da rua” porque “terminam ganhando mais” do que se estivessem trabalhando.
A declaração foi dada durante sabatina da TV Norte nesta quinta -feira (18), ao ser questionado sobre quais políticas, recursos e metas um eventual governo da chapa adotaria para atender essa população.
Apesar da cobrança por medidas concretas, Serafim não apresentou, na resposta, valores, metas de atendimento ou cronograma. O candidato defendeu uma atuação conjunta entre Estado, municípios, sociedade e instituições religiosas.
“Devo dizer que o maior problema dessas pessoas é que elas não querem sair da rua, porque na rua elas terminam ganhando mais do que se elas estivessem trabalhando”, declarou.
Serafim também afirmou que, “como regra”, pessoas em situação de rua não possuem qualificação e enfrentam problemas de saúde e dependência química.
A declaração generaliza uma população marcada por diferentes situações sociais. Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), baseado no Cadastro Único, aponta diferentes motivos declarados para a situação de rua, como problemas familiares ou conjugais, desemprego, uso abusivo de álcool e outras drogas e perda da moradia.
A própria Política Nacional para a População em Situação de Rua caracteriza esse público como heterogêneo e prevê acesso articulado a políticas de saúde, educação, assistência social, moradia, trabalho e renda.
Serafim aponta responsabilidade de Manaus
Durante a resposta, o vice de Roberto Cidade também citou mães venezuelanas que levam crianças para sinais de trânsito e avaliou que o problema compete mais à Prefeitura de Manaus do que ao Governo do Amazonas.
“Isso é desumano, é uma ação que, a meu ver, compete mais ao município de Manaus do que ao governo do Estado”, afirmou.
Serafim acrescentou que órgãos estaduais, entre eles a Secretaria de Assistência Social e a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), estariam disponíveis para dialogar e buscar medidas para enfrentar a situação.
A política para a população em situação de rua, no entanto, exige articulação entre diferentes níveis do poder público. Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que estados, municípios e Distrito Federal observassem as diretrizes previstas na Política Nacional para a População em Situação de Rua.
Juventude também fica sem metas
A falta de detalhamento apareceu novamente quando Serafim foi questionado sobre propostas da chapa para jovens dos municípios do interior do Amazonas.
A pergunta abordou a baixa presença de investimentos públicos em ciência e tecnologia e citou como exemplo jovens que buscam alternativas de renda em áreas influenciadas pelo garimpo.
Serafim respondeu que cada município possui uma realidade diferente e apontou educação e qualificação profissional como caminhos. Também citou o investimento privado na exploração de gás na região de Silves e Itapiranga, a bioeconomia e a atuação do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam).
O candidato, porém, não informou naquele trecho quantas vagas pretende criar, quanto a chapa projeta investir, quais novos programas seriam implantados ou em quanto tempo as medidas chegariam aos jovens do interior.
Respostas colocam propostas da chapa sob cobrança
As declarações ganham dimensão eleitoral porque Serafim é o candidato a vice de Roberto Cidade e participa da apresentação do projeto da chapa para comandar o Governo do Amazonas.
Nos dois temas, as perguntas cobraram medidas objetivas. Serafim apresentou educação, qualificação, bioeconomia e articulação institucional como caminhos, mas não detalhou recursos, metas ou prazos durante as respostas.
No caso da população em situação de rua, além da ausência desses números, o candidato atribuiu parte da dificuldade de retirada das pessoas das ruas ao comportamento do próprio grupo.
Com a eleição marcada para outubro, a resposta deixa uma questão objetiva para a chapa de Roberto Cidade: quais serão os recursos, metas e prazos para transformar as diretrizes defendidas por Serafim em políticas públicas para a população em situação de rua e para os jovens do interior?
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