Chuva intensa marca a chegada do inverno amazônico em Manaus, com o Teatro Amazonas e o Rio Negro ao fundo (Foto: IA/ Montagem Portal AM1)
Segundo a meteorologista Andrea Ramos, a influência do fenômeno pode fazer com que o retorno das chuvas ocorra de maneira irregular, alternando períodos prolongados de calor com pancadas intensas, trovoadas e rajadas de vento.
O cenário exige atenção porque a distribuição das precipitações interfere diretamente na recuperação dos níveis dos rios, na disponibilidade de água e na redução dos focos de queimadas e da fumaça que afeta a qualidade do ar na região.
El Niño pode alterar o período chuvoso
Embora novembro represente o início da retomada gradual das chuvas na Amazônia, a presença do El Niño pode modificar esse comportamento. O fenômeno provoca alterações na circulação atmosférica e no transporte de umidade, influenciando os regimes de precipitação em diferentes partes do planeta.
De acordo com Andrea Ramos, será importante acompanhar o comportamento da atmosfera amazônica durante novembro para avaliar como as condições climáticas vão responder ao fortalecimento do fenômeno.
A irregularidade das chuvas também pode dificultar a recuperação ambiental após períodos de estiagem. Mesmo com episódios de precipitação intensa, a distribuição desigual da água ao longo dos meses pode comprometer a reposição dos recursos hídricos.
Como funciona o inverno amazônico?
Na Amazônia, as estações do ano são identificadas principalmente pela quantidade de chuva, e não apenas pelas mudanças de temperatura. Conforme o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), o período mais chuvoso costuma ocorrer entre novembro e maio, enquanto a fase menos chuvosa predomina entre julho e setembro.
A transição entre esses períodos é influenciada por sistemas atmosféricos, entre eles a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), faixa de nebulosidade responsável pelo transporte de umidade do Oceano Atlântico para o interior do continente.
Durante o verão no Hemisfério Sul, esse sistema se desloca em direção ao sul e favorece a formação de nuvens e precipitações na Amazônia Central e em outras áreas do Norte do país.
A floresta também participa desse processo. Por meio da evapotranspiração, as árvores liberam vapor de água para a atmosfera, contribuindo para a formação de nuvens e para a chamada reciclagem da água, quando parte dessa umidade retorna à superfície em forma de chuva.
Chuva atinge Manaus após dias de fumaça
Em Manaus, a chuva registrada na manhã de sexta-feira (30) chegou depois de dias de calor e fumaça. A precipitação atingiu diferentes bairros da capital e levou a Defesa Civil a emitir dois alertas, em um intervalo de aproximadamente 40 minutos, para riscos de alagamentos e deslizamentos de terra. O órgão orientou os moradores a evitarem áreas de encosta e procurarem locais seguros durante as ocorrências.
Segundo informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão para esta sexta-feira indicava novas pancadas de chuva durante a tarde e a noite, com temperaturas entre 27°C e 35°C. Para sábado (31), também havia possibilidade de chuva isolada, com mínima de 25°C e máxima de 35°C.
A precipitação ainda provocou interrupções no fornecimento de energia elétrica em Manaus e em municípios da Região Metropolitana. Em nota, a concessionária Âmbar Energia informou que os trabalhos de manutenção e normalização do sistema seriam retomados assim que as condições meteorológicas permitissem.

Manaus acumulou 83,5% da média de chuva de outubro
Até 22 de outubro, Manaus havia registrado 95,2 milímetros de chuva, conforme dados da estação do Inmet. O volume correspondia a 83,5% da média climatológica esperada para todo o mês, estimada em 113,9 milímetros.
As precipitações começaram na noite de 21 de outubro, quando foram registrados 28 milímetros. Na manhã do dia seguinte, a estação contabilizou mais 7,4 milímetros.
Em outros pontos da capital, os volumes foram ainda maiores. Estações do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) registraram 48 milímetros no bairro Santa Etelvina e 43 milímetros na Cidade de Deus, ambos na Zona Norte, em um intervalo de 24 horas.
Apesar dos registros de chuva, a previsão de precipitações abaixo da média em parte da Região Norte mantém a atenção sobre os efeitos do El Niño. A evolução do período chuvoso será importante para avaliar a recuperação dos rios, a disponibilidade de água e as condições ambientais no Amazonas.

Chuva em Manaus elevou os índices de precipitação em outubro, com maiores volumes registrados na Zona Norte. (Foto: IA/ Montagem Portal AM1)
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