Estudantes completaram o terceiro dia de acampamento em frente à Aleam e cobram a retomada das recargas do Passe Livre Estudantil. (Foto: Tunico Santos)
Manaus (AM) – Estudantes e universitários completaram, nesta sexta-feira (6), o terceiro dia de manifestação e acampamento em frente à Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), na avenida Mário Ypiranga, zona Centro-Sul de Manaus. O grupo cobra a retomada das recargas do Passe Livre Estudantil, suspensas desde o início da semana para alunos da rede estadual.
A presidente da União dos Estudantes do Amazonas (UEE-AM), Thayli Duarte, informou que representantes do movimento se reuniram com os deputados estaduais Sinésio Campos (PT) e Adjuto Afonso (União Brasil), na quarta-feira (4). Na ocasião, também entregaram uma carta com as reivindicações dos estudantes.
Segundo Thayli, os manifestantes esperavam a participação de representantes do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) e do Governo do Estado em uma sessão na quinta-feira (5), para prestar esclarecimentos. De acordo com a representante, o sindicato não compareceu.
Estudantes anunciam denúncia e pedido de CPI
Durante coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira, integrantes do movimento anunciaram que pretendem formalizar uma denúncia contra o Sinetram junto ao Ministério Público. Os estudantes também querem solicitar à Câmara Municipal de Manaus a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação do sindicato.
A presidente da UEE-AM defendeu que sejam apresentados detalhes sobre a movimentação dos recursos destinados ao transporte coletivo.
“Queremos saber para onde está indo o dinheiro do povo. Queremos saber cada detalhe, e que o Sinetram abra o sigilo e mostre em planilha, enfim, o que for preciso, para que a gente saiba para onde está indo esse recurso todo”, afirmou Thayli Duarte.
A estudante Maria Fernanda, integrante do movimento secundarista, também destacou as dificuldades enfrentadas pelos alunos após a suspensão dos créditos. Segundo ela, a falta do benefício compromete a rotina de quem precisa se deslocar diariamente para escolas e cursos preparatórios.
“Eu pago a meia-passagem, eu sei como é difícil, porque tem estudante que ajuda em casa”, declarou.
Maria Fernanda também demonstrou preocupação com a proximidade das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e do Processo Seletivo Contínuo (PSC) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), cuja primeira aplicação está prevista para este domingo (8).
“Quem se prejudica somos nós, filhos dos trabalhadores, somos nós, filhos de professores, que estamos aqui lutando por um direito do povo”, afirmou.
Entenda a suspensão do Passe Livre
A suspensão das novas recargas começou na segunda-feira (2), quando o Sinetram comunicou a interrupção do benefício para estudantes da rede estadual por meio do aplicativo Cadê Meu Ônibus. O sindicato alegou pendências financeiras relacionadas ao custeio do transporte coletivo.
O Governo do Amazonas, por sua vez, afirma que os repasses referentes a 2026 estão em dia e questiona débitos relacionados à gestão anterior. A divergência entre as partes deixou os estudantes sem previsão de normalização das recargas.
Na quarta-feira (4), a Justiça do Amazonas acolheu um pedido da Defensoria Pública do Estado (DPE-AM) e de entidades estudantis e determinou que o Sinetram restabelecesse os créditos em até 24 horas após a intimação. O descumprimento da decisão prevê multa diária de R$ 50 mil, limitada inicialmente a R$ 1 milhão.
Sinetram diz que depende de repasses
Em manifestação sobre a decisão judicial, o Sinetram afirmou que a retomada das recargas depende do efetivo recebimento dos valores pela Prefeitura de Manaus e pelo Governo do Amazonas.
Segundo o sindicato, o sistema de bilhetagem possui mecanismos de segurança que impedem a liberação de créditos sem a confirmação dos recursos correspondentes.
“A disponibilização de novos créditos depende do efetivo ingresso dos valores correspondentes”, informou a entidade.
O Sinetram declarou ainda que aguarda providências das administrações estadual e municipal para viabilizar o cumprimento da determinação judicial.
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