Manaus, 6 de julho de 2026
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Cenário

Raiff Matos propõe, CMM aprova três dias de festival gospel e conta fica para o manauara pagar

Com outros problemas na cidade de Manaus, o prefeito pode aprovar o PL que inclui um evento gospel com duração de três dias para ser incluso no calendário oficial do município

Foto: Divulgação

Manaus, AM – Contratos com aditivos milionários de publicidade, nomeação de parentes para cargos e reforma milionária no teto da Câmara Municipal de Manaus são uma das polêmicas da gestão do prefeito David Almeida (Avante) no começo de 2022. Agora, a administração pode promover um Festival Gospel de Arte de Manaus (FEGAM), com duração de três dias de festa.

O evento foi aprovado por unanimidade no plenário da CMM e segue para a sanção do prefeito David Almeida, que terá a missão de sancionar o Projeto de Lei nº 131/21, de autoria do vereador Raiff Matos (DC), para incluir o Festival no calendário de eventos de Manaus, uma vez que já destacou o interesse de realizar a festa especialmente pensada para evangélicos, público cativo do vereador e do prefeito adventista de Manaus.

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O projeto ainda tem como intuito “criar meios para a realização do evento como forma de integrar as famílias cristãs nas festividades oficiais de Manaus”, e diz que a responsabilidade, leia-se, custos, será da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult).

Foto: Reprodução

“Conto com a sanção do prefeito David Almeida para que o PL vire lei e a gente tenha em breve esse evento para mobilizar artistas do segmento gospel. Vai contar com música, teatro, artes plásticas e recitação de salmos com premiação aos primeiros colocados. São milhares de famílias que se sentirão incluídas nas comemorações oficiais da cidade”, comentou o vereador, já quantificando o público que seu projeto vai impactar.

Para o PL, o vereador ainda levou em consideração o número de evangélicos em Manaus e do Brasil que, de acordo com o Censo, representa mais de 30% da população brasileira. Essa é mais uma tentativa da base evangélica da Prefeitura de Manaus tentar se consolidar entre os eleitores.

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No entanto, não é a primeira vez que Raiff Matos tenta emplacar um PL duvidável, eqnuanto manaus sofre com diversos problemas e CMM segue em “parceria” com o prefeito.

Em Manaus, o vereador quis criar um projeto de lei para conscientizar sobre os malefícios da pornografia, que aconteceria anualmente na segunda semana de outubro, momento em que acontecem as festividades do Dia das Crianças.

“Estudos comprovam que a pornografia causa vício semelhante ao causado pelas drogas, gerando um comportamento compulsivo com implicações para toda a vida da pessoa. Precisamos romper com esse ciclo vicioso que a iniciação com a pornografia gera. Ela não é uma questão de menor valor na internet, é um problema sério de saúde pública”, justificou.

Vale lembrar que não é a primeira vez em que a gestão pública dá espaço para igrejas. Em outubro do ano passado, a Igreja Evangélica Assembleia de Deus – Ministério de Madureira no Amazonas recebeu uma homenagem em uma Sessão Solene, na CMM, por seus 20 anos de fundação.

O evento contou com a presença do prefeito David Almeida, com o deputado estadual Dr. Gomes, os vereadores João Carlos, Marcel Alexandre, Raiff Matos, Eduardo Alfaia, além de pastores e cristãos no plenário.

Festas em risco

Com Manaus e o mundo voltando à normalidade depois de dois anos de pandemia, os eventos também começam a voltar na capital amazonense. No entanto, algumas festas populares brasileiras são colocadas de lado e, até mesmo, sofrem perseguições da sociedade.

No Carnaval há mais de 12 anos, o mestre-sala João Victor contou que a festa que é herança dos ancestrais está sendo perseguida nos últimos anos por pessoas que pregam o evangelho, mas, na prática, não cumprem com aquilo que acreditam.

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“É claro que todos merecem um espaço para expor a sua arte, a sua ideologia, entre outros, mas isso não dá o direito de ferir outros indivíduos. Antes da pandemia, o Carnaval já era marginalizado e apontado como um gasto desnecessário para a sociedade. Agora, somos os culpados pela pandemia no mundo todo, somos culpados se a gasolina está alta, se o hospital não possui leitos suficientes. Ou seja, nós somos os responsáveis por todos os problemas que existem no mundo, mas por qual motivo?”, questionou.

Foto: Arquivo Pessoal

“O prefeito começa vestindo a roupa da hipocrisia, porque se o evento gospel pode atrair emprego e renda, o Carnaval também pode. Até agora, em uma live tão pequena, já gerou emprego. Se uma pessoa faz fantasia, ela vai receber para isso, mas outras pessoas de fora da escola também podem ter o lucro, pois nós da agremiação vamos atrás para levar algo a mais para a avenida. Nisso, já gerou emprego e renda para outro costureiro”, disse.

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Mestre-sala de uma escola de samba, João ainda comentou que os artistas plásticos estariam com uma renda muito maior em tempos de desfiles normais. Para ele, o Carnaval vai muito além do que apenas uma festa popular, mas que dá oportunidades para pessoas conseguirem empregos, principalmente em tempos em que o desemprego aumenta a cada dia no Brasil.

“O Carnaval é cultura, não é posicionamento político de direita e esquerda, nao é uma divisão de núcleo, é uma festa do povo. É uma manifestação política, sim! Mas é uma festa em geral. Sabemos que isso é uma válvula de escape para toda uma comunidade e até para quem não é apaixonado, mas se depara com a beleza que as escolas de samba constroem para aquele momento”, disse.

Trabalho para todos

Ao Portal AM1, o cientista político Carlos Santiago explicou que não deve existir favorecimento para qualquer denominação religiosa, como homem ou mulher pública, os parlamentares eleitos devem representar a sociedade, sendo assim, trabalhar para todos, independente de credo ou não.

“A manifestação religiosa é livre, mas não pode se confundir com um instrumento de Estado, como uma forma dos governantes conquistarem poderes dentro do Estado, por isso que há séculos existe essa separação entre religião e estado, entre igreja e partido político, não se combinam, quando se unem, não faz bem à coletividade”, disse.

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De acordo com o cientista político, essa divisão acontece porque “alguns religiosos e políticos estão muito mais interessados na obediência às suas denominações religiosas do que nas ideologias partidárias”. Conforme explicou Santiago, os políticos devem fortalecer as ideologias partidárias, para que a sociedade possa ter uma democracia mais plural, em que a sociedade seja, de fato, representada.

O cientista político também reforçou que é importante que os políticos saibam realizar essa separação, até porque, “uma vez eleitos, os representantes e governantes devem governar para todos, independentemente de crença ou não da sociedade”.

“Então, quem usar a religião como instrumento de dominação, de conquista de poder político, sendo de esquerda ou de direita, não está contribuindo em nada para o fortalecimento da democracia, para o Estado laico e, principalmente, para o bem estar de todos”, ressaltou.