Manaus, 24 de junho de 2024
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Manaus, 24 de junho de 2024

Cenário

Ilusão: David não cumpre promessas de campanha e estoura orçamento de R$ 6,1 bilhões

David ainda não cumpriu nem 1/3 de tudo que foi prometido em seu plano de governo de 2020, quando pleiteava a cadeira da prefeitura, à época

Ilusão: David não cumpre promessas de campanha e estoura orçamento de R$ 6,1 bilhões

Foto: Divulgação

MANAUS, AM – Durante a campanha eleitoral em 2020, na qual David Almeida (Avante) pleiteava a vaga de prefeito de Manaus em uma disputa acirrada contra Amazonino Mendes (União Brasil), o então candidato fez muitas promessas, afirmando que faria de Manaus uma cidade melhor para os manauaras – o que na prática não aconteceu. Pior. Poucas delas foram cumpridas ao longo do primeiro ano de sua gestão.

Em seu plano de governo, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), David prometeu “promover a excelência da qualidade de vida e melhorar o ambiente de negócios em Manaus, com geração de emprego e renda, respeito ao meio ambiente e equidade social”, que no caso, ainda não aconteceu.

Exemplo disso é que a cidade viveu um dos maiores dramas com a subida das águas do Rio Negro, no ano passado, ultrapassando a marca histórica de 2012 (29,97m), chegando a marcar 30 metros; muita famílias foram afetadas. Assim como no último ano, Manaus segue sem um plano de ação para retirada dessas famílias das áreas alagadas e, que, novamente, devem enfrentar outra grande enchente até julho deste ano.

Para a área de habitação a promessa era de que criaria o Núcleo de Apoio Técnico à Moradia, que seria responsável por: “orientar o cadastramento das famílias nos programas habitacionais; 2) monitorar a evolução da carteira de projetos habitacionais de Manaus e a liberação dos recursos pelo governo federal; 3) acompanhar o cronograma de execução dos projetos habitacionais de baixa renda em Manaus”. A criação do núcleo ainda não aconteceu

Leia mais: David encerra 2021 com escândalos e gastos exagerados em seu 1º ano de gestão

Morador tenta sair de casa em meio à enchente no bairro Presidente Vargas, zona Centro-Sul de Manaus (Foto: Arquivo/ Portal AM1)

Contrário a isso, parentes da filha de Almeida, Fernanda Aryel, ganharam apartamentos, que deveriam ir para essas famílias carentes e que sofrem ano a ano com condições que parecem não ter mudanças – como a cheia, desbarrancamento, deslizamento de terras e outras consequências trazidas pela enchente – haja vista que nem mesmo uma secretaria habitacional existe dentro do quadro da Prefeitura de Manaus, apenas uma subsecretaria lotada dentro do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), que não dá o mesmo retorno de uma secretaria, empenhada em trabalhar nos projetos habitacionais.

Outro ponto que a gestão de David Almeida deixou a desejar em 2021, foi quanto à Transparência e os gastos com o dinheiro público. Até a data de hoje (4), a pasta da Secretaria de Comunicação (Semcom) só tem dois contratos publicados no site, sendo que a pasta desembolsou mais de R$ 136 milhões em liquidações de contratos, conforme publicado no site da Transparência da Prefeitura de Manaus.

Quanto aos gastos, muitos deles foram realizados em itens que não beneficiaram muito a população, com contratos milionários firmados ao longo de 2021. Somando todas as pastas da gestão, o valor foi de R$ 6.639.113.597.86 (seis bilhões, seiscentos e trinta e nove milhões, centro e treze mil, quinhentos e noventa e sete reais e oitenta e seis centavos), ou seja ultrapassando todo o orçamento destinado de 2020 para 2021, que foi de R$ 6,1 bilhões.

  • “Minimizar o custo da máquina administrativa e provendo sua estrutura de recursos humanos, materiais e tecnológicos adequados, estimulando a gestão democrática, de forma a obter, dentro dos melhores princípios técnicos, morais, éticos e legais, o cumprimento integral de sua Missão”.

Mais promessas não cumpridas:

Outra promessa não cumprida e que assegurava tirar os manauaras que vivem na linha da pobreza era a de erradicar a miséria, esta também ficou só no papel neste primeiro ano da gestão de David Almeida. Embora, ele tenha criado o Auxílio Manauara, que finaliza neste mês de janeiro, o mesmo não foi orçado para 2022, por David não considerar de extrema importância manter o benefício, alegando que a permanência dele diz respeito ao Estado e ao governo federal, auxílio este que, até então, garante, de certa forma, comida na mesa dos mais carentes em Manaus.

  • “Erradicar a miséria e reduzir significativamente as desigualdades sociais e de infraestrutura nos bairros. Ainda é necessário um grande esforço para romper o ciclo da pobreza, da distribuição de renda e da infraestrutura, sobretudo nas comunidades e bairros da periferia de Manaus.”

A questão da mobilidade urbana em Manaus é outro gargalo que vai passando de gestão em gestão e nada muda. Ônibus do transporte coletivo continuam em más condições de uso, ciclovias e ciclofaixas não foram ampliadas e as existentes ainda oferecem riscos aos ciclistas. Nenhum tipo de meio de transporte foi adicionado neste período.

  • “Ampliar e modernizar a infraestrutura, a mobilidade urbana e os serviços públicos. A infraestrutura é condição essencial à atração de investimentos e competitividade da economia. Por outro lado, é um dos principais vetores de qualidade de vida e geração de emprego. Será necessário dar um salto nos investimentos públicos e privados, principalmente em saúde, mobilidade urbana, habitação, governo eletrônico e serviços públicos digitais.”
  • “Diversificar a matriz de produtos de exportação de Manaus. Segundo o plano de governo, atualmente, 50% das exportações do Amazonas estão concentradas em preparações para a elaboração de bebidas e motocicletas.”

Esta semana, David anunciou que vai tirar “merecidas férias”, e sai temporariamente de cena sem dizer como fará para fazer de 2022 um ano eficiente e para que, finalmente, as promessas saiam do papel.

pc

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