Manaus, 16 de junho de 2024
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Manaus, 16 de junho de 2024

Cidades

Meses após mulher morrer soterrada, comunidade reclama que foi abandonada pela Seminf

Cinco residências foram desocupadas, mas outras famílias que moram perto do barranco temem um novo deslizamento

Meses após mulher morrer soterrada, comunidade reclama que foi abandonada pela Seminf

(Foto: Gabriela Alves/ Portal AM1)

MANAUS, AM – Quase três meses após uma mulher de 37 anos morrer soterrada na rua Osmarilza Martins, na comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, bairro Cidade Nova, moradores afirmam que a área continua oferecendo risco para a comunidade. Desde a tragédia, cinco residências na rua foram desocupadas, porém, outras famílias que moram perto do barranco temem um novo deslizamento de terra e uma nova tragédia.

“Continua o descaso, continua a situação que nós estamos. A gente só vê promessas, até agora, nenhuma cumprida”, afirmou o autônomo Ribamar Cruz, 49, nessa terça-feira (12). De acordo com o morador, a comunidade já procurou a Secretária Municipal de Infraestrutura (Seminf) e técnicos chegaram a ir ao local, mas a pasta teria informado que só poderia começar a trabalhar no área após o período de chuvas.

(Foto: Gabriela Alves/ Portal AM1)

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Ribamar foi um dos moradores que tentou ajudar a resgatar a vítima Josiane da Silva Rodrigues, na manhã do dia 17 de janeiro deste ano. Ele contou que no dia do deslizamento de terra, todas as casas nas proximidades do barranco ficaram alagadas e, quando chegou ao local, a vítima já tinha sido retirada sem vida da residência pelo Corpo de Bombeiros.

O aposentado Orlando Barros, 60, que também tentou ajudar no resgate da vítima, afirma que o problema na infraestrutura tem acarretado outros transtornos para os moradores. Com as casas desocupadas, a área passou a ser ocupada por usuários de drogas e o que ficou nas casas está sendo furtado por criminosos.

Tragédia anunciada

Ribamar também relembrou que chegou a avisar a vizinha sobre o perigo. “Dias antes, o meu cachorro se soltou e veio parar no terreno dela, eu tinha visto a situação. Comuniquei para ela. Estava abrindo crateras aí em cima. Eu disse: ‘Olha, procure, se não vai acabar tendo um acidente terrível.’ Ela chegou a falar: ‘Eu vou sair daqui antes que morra'”, contou.

Conforme relato de vizinhos, temendo a tragédia, Josiane havia ido ao distrito de obras da Prefeitura de Manaus para informar sobre uma tubulação de esgoto que estava aberta. A resposta que ela teria recebido é de que não havia material para consertar a tubulação.

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O Portal AM1 solicitou resposta da Seminf sobre a denúncia, mas, até o momento da publicação da matéria, não obteve resposta; espaço segue aberto para esclarecimentos.