(Foto: Alex Pazuello e Mauro Neto/ Secom)
Manaus (AM) – Após repercussão negativa e críticas da população e de políticos, o governador Roberto Cidade (União Brasil) determinou o cancelamento imediato de duas atas de registro de preços que somavam R$ 184,2 milhões para uma eventual aquisição de kits dormitório e redes de dormir. A medida ocorre após questionamentos sobre os valores registrados.
No vídeo publicado por Roberto Cidade em suas redes sociais, na noite desta segunda-feira, ele menciona uma publicação do senador Omar Aziz (PSD), que criticou o registro das atas de preços. Segundo Cidade, Omar estaria afirmando que o Governo do Estado estaria “comprando colchões e redes com preços superfaturados”.
Embora tenha afirmado não admitir que “paire qualquer dúvida sobre a lisura do meu governo”, Cidade disse ter determinado “a suspensão imediata do processo licitatório”.
“O fato é que aconteceu uma licitação no Centro de Serviços Compartilhados (CSC), onde teve uma ata de registro de preço, não teve nenhuma compra, não saiu nem um centavo da nossa gestão e nem vai sair. Eu já estou suspendendo essa licitação para que não paire nenhuma dúvida e para que não criem narrativas políticas para tentar me atacar”, disse Roberto Cidade no vídeo.
As duas atas de registro de preços, juntas, chegavam a R$ 184.262.100,00.
A Ata de Registro de Preços nº 0280/2026-1 foi firmada entre o Governo do Estado do Amazonas, representado pelo Centro de Serviços Compartilhados (CSC), e a empresa Comércio de Alimentos e Bebidas Rio Madeira Ltda. O objeto do documento é o fornecimento de redes de dormir feitas de 100% algodão, com capacidade mínima para suportar 180 kg e dimensões de tecido regulamentadas.
A ata registra a aquisição de 300.410 unidades de redes pelo valor unitário de R$ 78,00, resultando em um valor global de R$ 23.431.980,00.
Já a Ata de Registro de Preços nº 0280/2026-2 foi celebrada entre o CSC e a empresa R M Comercio de Pecas Automotivas LTDA. O objeto é o fornecimento de kits dormitório individuais compostos por colchão de espuma Pelmex, feito de 100% poliuretano, com densidade D-23 e tratamento antiácaro, antimofo e antifungo; jogo de cama de solteiro de três peças em algodão, formado por lençol de baixo com elástico, lençol de cima e fronha; e travesseiro de poliéster.
Foram registrados 301.180 kits a um preço unitário de R$ 534,00, alcançando o valor global de R$ 160.830.120,00.
Outra decisão revogada
Essa não é a primeira vez que, após uma repercussão negativa, o governador Roberto Cidade volta atrás em uma decisão desde que assumiu interinamente o governo, em abril de 2026, e foi eleito como governador tampão, em maio deste ano.
Na ocasião, teria autorizado o remanejamento de R$ 100 milhões do orçamento da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) para a Fundação Fundo Previdenciário do Estado do Amazonas (Amazonprev). A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 54.200, de 22 de maio de 2026, publicado no Diário Oficial do Estado (DOE).
Em comentários sobre a decisão de Cidade, um internauta afirmou que o plano do governo seria uma espécie de “checklist do desastre” e questionou por que parar depois de deixar a saúde em estado crítico, se ainda “pode passar a motosserra na educação?”. Outro comentário chamou o governador de “inimigo da educação”.
“O plano do governo deve ser uma espécie de ‘checklist do desastre’. Afinal de contas, por que parar depois de deixar a saúde pública em estado crítico se você ainda pode passar a motosserra na educação?”, disse o internauta em uma postagem.
- (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
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Após a reação popular negativa, Roberto Cidade voltou atrás na medida e revogou o decreto que previa o remanejamento de R$ 100 milhões do orçamento da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Voltando atrás
A decisão de suspender as atas ocorre em um contexto em que Roberto Cidade já havia recuado de outra medida após reação negativa. Em maio, o governador revogou o decreto que previa o remanejamento de R$ 100 milhões do orçamento da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) para a Amazonprev.
Agora, diante da repercussão sobre as atas que somavam R$ 184,2 milhões, Cidade voltou a recuar antes que qualquer recurso fosse efetivamente gasto. No vídeo, o governador afirma que a suspensão busca evitar “narrativas políticas para tentar me atacar”.
Na prática, as duas medidas têm em comum o mesmo desfecho: primeiro foram formalizadas pelo governo e, depois da reação negativa, acabaram revistas pelo próprio governador.
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