Manaus, 18 de setembro de 2026
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Manaus, 18 de setembro de 2026

Cidades

Atraso no pagamento de intérpretes deixa alunos surdos sem aulas na UEA

Profissionais estão sem receber e estudantes relatam dificuldade para acompanhar as atividades acadêmicas sem o suporte de Libras.

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(Foto: Lucas Bentes/ Portal AM1)

Manaus (AM) – O atraso no pagamento dos intérpretes de Libras está deixando estudantes surdos da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) sem acesso adequado às atividades acadêmicas. A situação provocou uma manifestação na manhã desta quinta-feira (27), em frente à Reitoria, em Manaus.

Segundo familiares e profissionais que participaram do ato, os intérpretes estão sem receber e, por isso, o atendimento aos estudantes foi interrompido. Um dos alunos está há quase duas semanas sem conseguir acompanhar as atividades com o suporte de Libras.

Pai de um dos estudantes, o professor Klayton Branches afirmou que o problema não está nos intérpretes, mas na falta de pagamento.

“Ele está praticamente há duas semanas sem estudar, sem intérpretes, porque não é culpa deles. Eles estão sem o salário, sem condições de ter dignidade e isso já é recorrente, porque ano passado, no final do ano, aconteceu novamente”, afirmou.

Para Klayton, a situação acaba transformando um problema de pagamento em uma barreira para os próprios estudantes.

“Os meninos aqui, a maioria deles, são surdos e precisam ter acesso à universidade, precisam ter acesso à educação. Os alunos estão todos estudando e eles estão aí, além, aquém, esquecidos”, disse.

O professor também criticou a falta de uma solução definitiva para os pagamentos e afirmou que as responsabilidades acabam sendo transferidas entre diferentes envolvidos.

“A desculpa, eles sempre jogam para a CFAJ, jogam para o Governo do Estado. A gente sabe que isso faz parte também, todos são culpados”, declarou.

O serviço de interpretação é essencial para que os estudantes surdos acompanhem aulas, atividades e demais compromissos acadêmicos. Sem o profissional, a presença do aluno na universidade não significa, necessariamente, acesso ao conteúdo.

O intérprete de Libras  Stanley Souza participou da manifestação em apoio à comunidade surda e reforçou justamente esse ponto.

“O trabalho do intérprete é muito fundamental, porque sem intérprete não há comunicação, e é um direito da pessoa surda ter acesso à educação”, afirmou.

A Fundação Muraki é responsável pela execução do serviço de tradução e interpretação de Libras em parceria com a UEA. A instituição informa que o projeto atende à comunidade acadêmica surda da universidade.

O que estudantes e familiares cobram agora é uma resposta objetiva sobre o atraso nos pagamentos e a previsão para que os intérpretes voltem ao trabalho.

Enquanto o impasse não é resolvido, o prejuízo não fica restrito aos profissionais que aguardam salário: chega à sala de aula e atinge diretamente estudantes que dependem da acessibilidade para estudar.

Nota da UEA

 

“A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) informa que os bolsistas intérpretes de Libras tiveram um atraso de cinco dias úteis no pagamento, equivalente a uma semana. Por uma questão processual e formal, o processo de regularização dos pagamentos foi iniciado nesta quinta-feira (27/8), com todos os profissionais sendo regularizados a partir desta data. A universidade esclarece, ainda, que a regularização independe da manifestação realizada hoje.”

 

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