Manaus, 7 de julho de 2026
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Cenário

Barco alugado em Manaus para hospedagem de Lula na COP30 levanta questionamentos

Embarcação Iana III, transportada do Amazonas a Belém, é alvo de representações na PGR e no TCU por suposta falta de transparência e gasto elevado.

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(Foto: Divulgação)

Manaus (AM) – O deputado Sanderson (PL-RS), vice-líder da oposição na Câmara dos Deputados, protocolou nesta semana representações na Procuradoria-Geral da República (PGR) e no Tribunal de Contas da União (TCU) pedindo investigação sobre a contratação de uma embarcação utilizada pela comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Belém (PA), durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, a COP30.

Conforme o parlamentar, há indícios de falta de economicidade, transparência e legalidade na escolha do barco, identificado como Iana III, uma embarcação de grande porte, com três andares, ar-condicionado em todas as instalações e cerca de 45 metros de comprimento. O navio foi alugado pela empresa Icotur Transporte e Turismo, sediada em Manaus, e está atracado na Base Naval de Val-de-Cães, na capital paraense.

Sanderson afirma que a Marinha do Brasil havia disponibilizado gratuitamente um navio para a hospedagem da delegação presidencial, mas que o governo teria optado por alugar o Iana III por considerar o navio militar “pouco confortável”. O deputado sustenta que a decisão pode ter causado prejuízo aos cofres públicos e violado o princípio da economicidade, previsto na Constituição Federal.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, o barco foi fabricado entre 2010 e 2011, e funciona como um hotel flutuante, com capacidade para dezenas de pessoas. Estimativas indicam consumo entre 50 e 150 litros de diesel por hora, totalizando cerca de 4 mil litros durante o período de utilização na COP30.

Segundo informações da imprensa, a diária média por pessoa seria de R$ 2,6 mil, embora os valores exatos do contrato não tenham sido divulgados oficialmente.

A embarcação está registrada sob o CNPJ 04.769.766/0001-96. Segundo a Receita Federal, a empresa possui capital social de R$ 50 mil e tem como sócios-administradores: Iomar Cavalcante de Oliveira, Francisca Matos, Maria Inah Oliveira da Cunha, Yeda Maria Bezerra de Oliveira. Também são mencionadas como sócias: Iolanda Oliveira Braga, Iana Cavalcante de Oliveira (que dá nome à embarcação).

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(Foto: Divulgação)

O governo federal não confirmou o custo total da locação, mas justificou a escolha do barco pela falta de vagas na rede hoteleira de Belém, que enfrenta sobrecarga devido à realização da conferência. A Presidência informou ainda que a embarcação foi contratada “dentro dos parâmetros legais e com foco em garantir segurança e conforto à comitiva”.

As representações apresentadas por Sanderson pedem que a PGR e o TCU investiguem a regularidade do processo de contratação, bem como o possível uso indevido de recursos públicos. Até o momento, os órgãos de controle ainda não se manifestaram sobre a abertura formal de apuração.

A COP30, evento que reúne chefes de Estado, líderes empresariais e ambientalistas de todo o mundo, será realizada oficialmente em Belém, no Pará, em novembro de 2025.

 

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