Coluna Conexão Brasília – Por Clébio Cavagnolle*
SANTA PESQUISA
O levantamento do IPEN que apontou o senador Omar Aziz (PSD) na liderança isolada para o governo do Amazonas movimentou a cúpula do partido e o entorno do presidente Lula, que vê em Aziz a oportunidade de ampliar significativamente a margem de votos para presidente no Estado. O Planalto avalia que, assim que começar a CPMI do INSS, o que está previsto para as próximas semanas, o senador, que vai presidir a comissão, deve ganhar destaque e subir ainda mais nas pesquisas.
SENADO
A mesma pesquisa também trouxe uma preocupação ao entorno de Lula, só que na projeção de cadeiras ao Senado. Apesar de Eduardo Braga liderar, o Bolsonarista Capitão Alberto Neto figura pouco atrás, em posição competitiva, apesar da distância para a eleição. A ordem no Governo e na base de Lula no Congresso é tentar frear o crescimento de bolsonaristas, principalmente os que disputam o Senado. Tudo pra evitar a formação de uma maioria que se fortaleça e seja capaz de passar os projetos da direita.
MÉRITO
O presidente Lula sancionou na segunda-feira o Programa Acredita Exportação, iniciativa voltada para a devolução de tributos para micro e pequenas empresas brasileiras que atuam no comércio exterior. A medida busca atenuar o desequilíbrio causado pelo tarifaço de Donald Trump. O programa foi aprovado por unanimidade pelo Congresso Nacional e teve como relator no Senado o senador Eduardo Braga, que recebeu elogios dentro do governo e também de colegas no parlamento. No entorno do senador, dizem que é mais um ponto para manter a liderança na busca por um novo mandato. O MDB, aliás, sigla de Braga, vai explorar na conjuntura nacional os avanços em reformas e projetos de interesse do País, que dizem integrantes do comando do partido, são méritos do senador.
BENDITO TARIFAÇO
O posicionamento do presidente Lula diante do Tarifaço tem rendido bons resultados nas primeiras pesquisas sobre o cenário eleitoral para o ano que vem. Lula já aparece com 47,8% das intenções de voto contra 44,2% do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível, no levantamento AtlasIntel/Bloomberg sobre a disputa presidencial de 2026 divulgada nesta quinta-feira.
A pesquisa revela crescimento de 3,2 pontos porcentuais de Lula e queda de 2,2 pontos porcentuais de Bolsonaro, ante a última sondagem. Segundo a Atlas/Bloomberg, é a primeira vez, desde janeiro, que Lula aparece à frente de Bolsonaro neste cenário, que reproduz a disputa de 2022. Sem o nome de Bolsonaro na pesquisa, Lula fica com 48,5%. Ante a última pesquisa, de junho, Lula subiu 3,9 pontos porcentuais. Neste cenário, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem 33%, ante 34% do último levantamento. Em seguida, aparecem os governadores do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), com 3,6%, de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 3,6%, e de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), com 3%. No Planalto, os resultados foram celebrados, mas um ministro disse à coluna, em caráter reservado, que é preciso tomar cuidado para não deixar que o cenário suba à cabeça e atropele a razão”. Na avaliação de interlocutores, Lula deve surfar mais um pouco na onda do combate ao tarifaço e defesa da soberania do Brasil.
PEGOU MAL
Na esteira do tarifaço e da imposição de sanções financeiras contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, até mesmo políticos da direita acreditam que Trump exagerou e está tentando interferir na soberania do Brasil e na independência do Poder Judiciário. Mas, a reação de Moraes, ao ser flagrado mostrando o dedo do meio na Neo Química Arena, em São Paulo, pegou muito mal até entre ministros do STF que o defendem. Moraes, que é torcedor do Corinthians, estava no estádio para assistir à vitória do time contra o Palmeiras, pela Copa do Brasil, horas depois de ter sido sancionado pelos Estados Unidos sob a Lei Magnitsky.
O gesto obsceno, flagrado em foto, ocorreu em meio a vaias de torcedores. O registro se espalhou rapidamente pelas redes sociais, gerando reações de políticos e apoiadores de Jair Bolsonaro, que já criticam o ministro. Pra quê, hein?
JANTAR DA CRISE
O presidente Lula voltou a receber os integrantes do Supremo no Palácio da Alvorada na noite desta quinta-feira. Do primeiro encontro, na quarta, participaram o presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, e os ministros Gilmar Mendes e Cristiano Zanin. A segunda rodada contou com os três, além de Flávio Dino, Edson Fachin, e o próprio ministro Alexandre de Moraes.
Também jantaram com o grupo o Advogado-geral da União, Jorge Messias, o Procurador-geral da República, Paulo Gonet e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. No cardápio do regabofe, além de demonstrar solidariedade, Lula também propôs afinar o tom em defesa da independência do Judiciário e da soberania do Brasil. A resposta de Moraes e dos demais ministros foi dada em discursos fortes na sessão de abertura do segundo semestre, nesta sexta-feira, no Plenário do Supremo. Eles deixaram claro que a Corte não vai baixar a cabeça para interferências e que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, por ter tramado um Golpe de Estado, não vai ser paralisado, nem atrasado.
TIRO SAIU PELA CULATRA
As sanções de Trump a Moraes e o tarifaço, menos agressivo do que se previa, ao contrário do que previam os bolsonaristas, serviu para unir ainda mais os Três Poderes. A avaliação é de integrantes do STF, do Governo e do Congresso. Ao fazer ameaças aos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, o deputado licenciado e Eduardo Bolsonaro jogou o comando do Legislativo no “colo” de Lula, que está mais alinhado que nunca ao Supremo. O efeito foi reverso até dentro do PL. No ninho bolsonarista, as críticas passaram a ganhar força contra os ataques de Eduardo ao deputado Nikolas Ferreira e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ambos aliados de primeira hora do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na cúpula do PL, passa a pairar a ideia de que a cassação do filho mais radical de Bolsonaro é inevitável e pode até ser uma saída para amenizar o clima interno.
DEFESA
Advogados de todo o país, magistrados e integrantes de entidades de classe saíram em defesa do presidente da OAB do Brasil, Beto Simonetti, alvo de ataques por advogados bolsonaristas. Um grupo de advogados teria enviado ao governo de Donald Trump um suposto dossiê com pedido de sanções contra Simonetti. Os “colegas” alegam que ele teria sido omisso na defesa de prerrogativas da advocacia nos casos dos presos pelo oito de de janeiro de 2023.
IMPASSE INCÔMODO
A indefinição sobre o futuro político do governador Wilson Lima passou a incomodar a cúpula do União Brasil. Integrantes do partido dizem que a sigla está emperrada e temem dificuldades para alianças estratégicas enquanto o governador evita confirmar se vai disputar uma vaga ao Senado. A liderança do partido deve pressionar Lima a decidir nos próximos meses. Dizem que é impossível esperar até o ano que vem, e que o impasse pode colocar a perder o legado do União Brasil no Amazonas.
(*) Jornalista há 21 anos, passou por veículos da grande Mídia como O Estado de São Paulo e TV Globo. Atualmente, é repórter e apresentador de TV Record. Atua há oito anos na cobertura política em Brasília, com foco nos Três Poderes. Trafega entre as principais autoridades do País. Constantemente de olho nos bastidores das decisões tomadas na Capital Federal que impactam todo o Brasil, principalmente o Amazonas.
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