Manaus, 6 de julho de 2026
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Cenário

Caso Bruno e Dom: Justiça decide levar julgamento para Manaus

Decisão aponta risco à imparcialidade do júri e à segurança dos envolvidos no processo.

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(Foto: Tomaz Silva /Agência Brasi)

Manaus (AM) – A Justiça Federal decidiu transferir para Manaus o julgamento dos réus acusados pelas mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips. A decisão foi formalizada em acórdão assinado na terça-feira (3) e leva em consideração dúvidas sobre a imparcialidade do júri, além de riscos à ordem pública e à segurança dos envolvidos no processo.

Inicialmente, o julgamento ocorreria no interior do Amazonas, onde os crimes foram cometidos. No entanto, segundo a decisão judicial, a forte repercussão do caso, aliada ao contexto local e à possibilidade de influência sobre os jurados, poderia comprometer a isenção do Tribunal do Júri.

Bruno Pereira e Dom Phillips desapareceram no dia 5 de junho de 2022, enquanto realizavam uma expedição na Terra Indígena Vale do Javari, região que abrange os municípios de Guajará e Atalaia do Norte, no extremo oeste do estado. Eles foram vistos pela última vez durante uma viagem de barco pelo rio Itaquaí.

Após dias de buscas, os corpos das vítimas foram encontrados e identificados pela Polícia Federal. As investigações apontaram que Bruno e Dom foram assassinados em uma emboscada, em um contexto de conflitos relacionados a atividades ilegais, como pesca predatória, na região do Vale do Javari.

A ação penal transferida para a capital amazonense apura os crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver. São réus no processo Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como “Pelado”, Jefferson da Silva Lima e Oseney da Costa de Oliveira, denunciados pelo Ministério Público Federal como responsáveis pela execução e pela ocultação dos corpos.

Com o julgamento em Manaus, a Justiça avalia que haverá melhores condições para garantir a segurança das partes, das testemunhas e dos jurados, além de assegurar a imparcialidade do processo. O caso ganhou repercussão internacional e se tornou símbolo da violência enfrentada por indigenistas, ambientalistas e jornalistas que atuam na Amazônia.

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