(Foto: Divulgação/Prefeitura de Coari)
Manaus (AM) – O cerco judicial ao prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), aumentou. Depois de ser afastado da Prefeitura por 90 dias, o político passou a usar tornozeleira eletrônica e teve o passaporte recolhido por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da investigação da Polícia Federal sobre contratos do município.
A decisão impõe ainda a Adail a proibição de deixar o país. As medidas cautelares também atingem outros investigados na Operação Dinastia do Lago, que apura suspeitas de fraude em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção, lavagem de dinheiro e peculato.
A nova restrição amplia o conjunto de medidas judiciais contra o prefeito. Em 16 de setembro, Moraes já havia determinado o afastamento de Adail do cargo por 90 dias, além de atingir secretários municipais investigados.
Com o afastamento, a presidente da Câmara Municipal de Coari, Jeany Pinheiro (Republicanos), irmã do prefeito, assumiu interinamente o comando da Prefeitura.
O vice-prefeito, Emanoel Pinheiro, também está afastado das funções para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) nas eleições de outubro.
Investigação começou com R$ 1,25 milhão
A Operação Dinastia do Lago teve como ponto de partida a prisão em flagrante de três empresários no Aeroporto de Brasília, em maio de 2025. Na ocasião, Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Wagner Santos Moutinho transportavam cerca de R$ 1,25 milhão em espécie em um voo entre Manaus e Brasília.
Segundo a investigação, os empresários não apresentaram, naquele momento, documentação que comprovasse a origem do dinheiro.
A partir da apreensão, documentos e aparelhos eletrônicos foram analisados com autorização judicial. Conforme os elementos descritos no processo, os investigadores identificaram movimentações financeiras consideradas suspeitas e possíveis relações com contratos mantidos por empresas com a Prefeitura de Coari.
O caso passou a envolver também suspeitas relacionadas a processos de licitação e à utilização de empresas que mantinham contratos com o município.
Filho do prefeito é principal alvo
O principal alvo da operação é o deputado federal Adail Filho (MDB-AM), filho do prefeito de Coari.
Segundo despacho de Alexandre de Moraes, documentos e dispositivos apreendidos durante as investigações teriam indicado, de acordo com a PF, repasses financeiros realizados por empresas vinculadas aos investigados em benefício de Adail Filho e Adail Pinheiro.
As investigações também alcançam recursos provenientes de emendas parlamentares destinadas a Coari nos anos de 2024 e 2025.
O material apreendido é analisado pela PF para esclarecer a possível relação entre empresas, contratos públicos, movimentações financeiras e integrantes do grupo político investigado.
29 mandados foram cumpridos
Na operação deflagrada em setembro, a Polícia Federal cumpriu 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari.
Além de Adail Pinheiro, estão entre os alvos das medidas cautelares ex-secretários municipais e outros investigados, como Rodrigo Alves de Almeida, Paulo José Franca de Matos, Eduardo Jorge de Oliveira Alves, Denilson Palheta de Souza e Markeyson dos Santos Silva.
Também são citados Thaís de Oliveira Lemos, Jéssica Shirley Moitinho, Márcia Chirles Santos Moitinho, Wagner Santos Moitinho, Erick Pinto Saraiva e Cesar de Jesus Glória Albuquerque.
Investigação segue em andamento
O inquérito tramita no STF após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Em junho de 2026, Moraes prorrogou a investigação por mais 60 dias, considerando a complexidade dos fatos, o número de pessoas e empresas envolvidas e a existência de diligências ainda pendentes.
A investigação apura possível prática de corrupção e lavagem de dinheiro, além de suspeitas de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e peculato.
As medidas determinadas pela Justiça não representam condenação. Os investigados são alvo de apuração e têm direito à defesa e ao contraditório.
Em manifestação anterior, as defesas de Adail Pinheiro e Adail Filho afirmaram ter recebido a operação “com surpresa” e classificaram o afastamento do prefeito como desnecessário. Os advogados também disseram que os investigados não são réus nem possuem condenação relacionada ao caso.
Agora, com o prefeito afastado, monitorado por tornozeleira e impedido de deixar o país, a investigação coloca sob análise não apenas a atuação individual dos investigados, mas também a relação entre contratos públicos, empresas e recursos destinados ao município de Coari. A próxima etapa será esclarecer, no curso do inquérito, se os elementos reunidos pela PF sustentam as suspeitas apontadas até aqui.
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