Manaus, 24 de setembro de 2026
×
Manaus, 24 de setembro de 2026

Cenário

Cerco aperta, Adail Pinheiro passa a usar tornozeleira e tem passaporte recolhido

Prefeito de Coari está proibido de deixar o país por ordem de Alexandre de Moraes após operação da PF que apura contratos e suspeitas de corrupção.

adail-pinheiro-e-pressionado-a

(Foto: Divulgação/Prefeitura de Coari)

Manaus (AM) – O cerco judicial ao prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), aumentou. Depois de ser afastado da Prefeitura por 90 dias, o político passou a usar tornozeleira eletrônica e teve o passaporte recolhido por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da investigação da Polícia Federal sobre contratos do município.

A decisão impõe ainda a Adail a proibição de deixar o país. As medidas cautelares também atingem outros investigados na Operação Dinastia do Lago, que apura suspeitas de fraude em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção, lavagem de dinheiro e peculato.

A nova restrição amplia o conjunto de medidas judiciais contra o prefeito. Em 16 de setembro, Moraes já havia determinado o afastamento de Adail do cargo por 90 dias, além de atingir secretários municipais investigados.

Com o afastamento, a presidente da Câmara Municipal de Coari, Jeany Pinheiro (Republicanos), irmã do prefeito, assumiu interinamente o comando da Prefeitura.

O vice-prefeito, Emanoel Pinheiro, também está afastado das funções para disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) nas eleições de outubro.

Investigação começou com R$ 1,25 milhão

A Operação Dinastia do Lago teve como ponto de partida a prisão em flagrante de três empresários no Aeroporto de Brasília, em maio de 2025. Na ocasião, Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Wagner Santos Moutinho transportavam cerca de R$ 1,25 milhão em espécie em um voo entre Manaus e Brasília.

Segundo a investigação, os empresários não apresentaram, naquele momento, documentação que comprovasse a origem do dinheiro.

A partir da apreensão, documentos e aparelhos eletrônicos foram analisados com autorização judicial. Conforme os elementos descritos no processo, os investigadores identificaram movimentações financeiras consideradas suspeitas e possíveis relações com contratos mantidos por empresas com a Prefeitura de Coari.

O caso passou a envolver também suspeitas relacionadas a processos de licitação e à utilização de empresas que mantinham contratos com o município.

Filho do prefeito é principal alvo

O principal alvo da operação é o deputado federal Adail Filho (MDB-AM), filho do prefeito de Coari.

Segundo despacho de Alexandre de Moraes, documentos e dispositivos apreendidos durante as investigações teriam indicado, de acordo com a PF, repasses financeiros realizados por empresas vinculadas aos investigados em benefício de Adail Filho e Adail Pinheiro.

As investigações também alcançam recursos provenientes de emendas parlamentares destinadas a Coari nos anos de 2024 e 2025.

O material apreendido é analisado pela PF para esclarecer a possível relação entre empresas, contratos públicos, movimentações financeiras e integrantes do grupo político investigado.

29 mandados foram cumpridos

Na operação deflagrada em setembro, a Polícia Federal cumpriu 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari.

Além de Adail Pinheiro, estão entre os alvos das medidas cautelares ex-secretários municipais e outros investigados, como Rodrigo Alves de Almeida, Paulo José Franca de Matos, Eduardo Jorge de Oliveira Alves, Denilson Palheta de Souza e Markeyson dos Santos Silva.

Também são citados Thaís de Oliveira Lemos, Jéssica Shirley Moitinho, Márcia Chirles Santos Moitinho, Wagner Santos Moitinho, Erick Pinto Saraiva e Cesar de Jesus Glória Albuquerque.

Investigação segue em andamento

O inquérito tramita no STF após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Em junho de 2026, Moraes prorrogou a investigação por mais 60 dias, considerando a complexidade dos fatos, o número de pessoas e empresas envolvidas e a existência de diligências ainda pendentes.

A investigação apura possível prática de corrupção e lavagem de dinheiro, além de suspeitas de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e peculato.

As medidas determinadas pela Justiça não representam condenação. Os investigados são alvo de apuração e têm direito à defesa e ao contraditório.

Em manifestação anterior, as defesas de Adail Pinheiro e Adail Filho afirmaram ter recebido a operação “com surpresa” e classificaram o afastamento do prefeito como desnecessário. Os advogados também disseram que os investigados não são réus nem possuem condenação relacionada ao caso.

Agora, com o prefeito afastado, monitorado por tornozeleira e impedido de deixar o país, a investigação coloca sob análise não apenas a atuação individual dos investigados, mas também a relação entre contratos públicos, empresas e recursos destinados ao município de Coari. A próxima etapa será esclarecer, no curso do inquérito, se os elementos reunidos pela PF sustentam as suspeitas apontadas até aqui.

 

LEIA MAIS: