(Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Manaus (AM) – O general Eduardo Pazuello (PL) foi reeleito deputado federal pelo Rio de Janeiro nas eleições deste domingo (4). Com 146.148 votos, o ex-ministro da Saúde ficou na décima posição entre os 46 deputados eleitos pelo Estado e garantiu mais quatro anos de mandato na Câmara dos Deputados.
A eleição ocorre cinco anos depois de Pazuello estar à frente do Ministério da Saúde durante um dos períodos mais críticos da pandemia de Covid-19, quando Manaus enfrentou o colapso no abastecimento de oxigênio hospitalar, em janeiro de 2021.
Crise do oxigênio
Pazuello comandou o Ministério da Saúde entre maio de 2020 e março de 2021. Durante sua gestão, o Amazonas enfrentou uma explosão de casos de Covid-19 e, em janeiro de 2021, hospitais de Manaus ficaram sem oxigênio para atender pacientes internados.
O episódio levou o Ministério Público Federal (MPF) a ajuizar uma ação por improbidade administrativa contra Pazuello e outras autoridades. Segundo a acusação apresentada à época, houve ações e omissões que teriam contribuído para o colapso do fornecimento de oxigênio e para mortes de pacientes.
A ação, entretanto, não resultou em condenação de Pazuello. Em 2022, a Justiça Federal do Amazonas julgou improcedente o processo. O juiz Diego Leonardo Andrade de Oliveira considerou que, após mudanças na Lei de Improbidade Administrativa, as condutas descritas pelo MPF não se enquadravam nas hipóteses legais aplicáveis.
A atuação de Pazuello durante a pandemia também foi alvo de críticas relacionadas à defesa do chamado tratamento precoce.
Em janeiro de 2021, reportagem da colunista Ruth de Aquino, de O Globo, relatou a existência de um ofício do Ministério da Saúde enviado a unidades do Amazonas orientando a adoção de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19. A publicação reproduziu declarações de especialistas que criticaram a orientação e também registrou manifestações públicas do então ministro em defesa do tratamento precoce.
O episódio ocorreu justamente nos dias que antecederam o agravamento da crise de oxigênio em Manaus.
Outro episódio relacionado à passagem de Pazuello pelo Amazonas foi relatado publicamente por sua ex-esposa, a dentista Andréa Barbosa, em 2022.
Segundo ela, Pazuello teria realizado uma festa enquanto estava em Manaus durante o período mais grave da crise de oxigênio. O relato foi publicado pelo Congresso em Foco e atribuído integralmente à ex-esposa.
A publicação também registrou que o Ministério da Saúde, na época, negou que a gestão federal tivesse sido omissa e afirmou ter atuado para acelerar medidas de prevenção, proteção e atendimento durante a pandemia.
Novo mandato
Apesar do histórico de controvérsias relacionadas à sua atuação no Ministério da Saúde, Pazuello conseguiu renovar o mandato nas urnas.
Em 2022, ele já havia sido eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, quando recebeu mais de 205 mil votos e terminou como o segundo candidato mais votado para a Câmara no Estado.
Agora, com 146.148 votos, Pazuello iniciará um novo mandato na Câmara dos Deputados a partir de 2027. O resultado o colocou entre os dez deputados federais mais votados do Rio nesta eleição.
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