Marcellus Campêlo e Wilson Lima (Foto: Divulgação/Assessoria Marcellus Campêlo)
Manaus (AM) – O ex-secretário de Saúde do Amazonas Marcellus Campêlo, que hoje mira ocupar uma das 24 cadeiras na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) e escancara aos quatros cantos está “credenciado” para a vaga, chegou a afirmar, durante depoimento à CPI da Pandemia, em 2021, que a falta de oxigênio nos hospitais de Manaus havia durado apenas dois dias.
A versão, porém, foi contestada pelos senadores com documentos e registros apresentados durante a própria comissão. A Agência Senado registrou que os parlamentares apontaram que o colapso se estendeu por mais tempo. E o Portal AM1 relembra em 2026 esse episódio considerado por muitos como uma das piores cenas de desgoverno na saúde pública brasileira.
Governo do AM ignorou alertas?
Um dos principais pontos apresentados na CPI foi um alerta da empresa White Martins, de setembro de 2020, informando que a capacidade de fornecimento não suportaria o aumento do consumo de oxigênio no Amazonas.
O senador Eduardo Braga questionou por que o Governo do Amazonas não havia adquirido usinas de oxigênio diante dos alertas.
Já o senador Marcos Rogério afirmou que o governo amazonense deixou praticamente todo o ano de 2020 passar sem ampliar adequadamente a estrutura de fornecimento. Segundo ele, o Estado só assinou um aditivo com a White Martins em 23 de novembro de 2020, diante do aumento da demanda provocado pela pandemia.

O então governador do Amazonas Wilson Lima nomeou Marcellus Campêlo em agosto de 2020 (Foto: Márcio James/Defensoria Pública do Amazonas)
A cronologia que complicou a versão
O próprio Campêlo afirmou à CPI que recebeu o alerta da White Martins em 7 de janeiro de 2021 e que, no mesmo dia, comunicou o Ministério da Saúde sobre a situação.
A CPI também registrou uma contradição entre os relatos de Campêlo e do então ministro Eduardo Pazuello sobre quando o governo federal teria sido informado do risco de colapso.
O relatório final da CPI foi ainda mais duro: apontou crescimento consistente da demanda por oxigênio desde setembro de 2020 e incluiu Campêlo e o então governador Wilson Lima entre os nomes cujo indiciamento foi proposto por má gestão da pandemia no Amazonas.
Hidroxicloroquina também entrou no depoimento
Outro ponto levantado foi o envio de 120 mil comprimidos de hidroxicloroquina ao Amazonas após reuniões envolvendo a então secretária do Ministério da Saúde Mayra Pinheiro.
Campêlo confirmou a realização dessas reuniões e afirmou que houve orientação relacionada ao chamado “tratamento precoce”.
O episódio ganhou ainda mais peso porque ocorreu enquanto o Estado enfrentava uma grave deterioração da situação sanitária.
O que ficou registrado na CPI, portanto, foi um choque entre a versão do ex-secretário e os documentos apresentados pelos parlamentares: enquanto Campêlo reduziu o desabastecimento a dois dias, a comissão encontrou registros de alertas anteriores e evidências de que o problema vinha se agravando meses antes do colapso de janeiro.
Reveja os vídeos com o depoimento de Marcellus Campêlo na CPI da Covid-19:
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