Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Coluna AM1

Com promessa de ‘barulho’, Wilson Lima flerta com oposição a Lula

Em Brasília, o governador do Amazonas se alinha a grupo de oposição a Lula e tenta marcar posição política

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Coluna Conexão Brasília – Por Clébio Cavagnolle*

COBRANÇA

O governador Wilson Lima, do União Brasil, esteve na comissão de Governadores de oposição ao governo do presidente Lula que se reuniu nesta quinta-feira, em Brasília, para discutir as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos contra o Brasil. A escalada da crise entre os Três Poderes também foi assunto no encontro que ocorreu na residência do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também esteve por lá, depois de fazer uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar. Os governadores bolsonaristas querem pressionar o Governo Federal a insistir no diálogo com os Estados Unidos para buscar reduzir a taxação ao país. O grupo também quer alternativas para os setores afetados pelo tarifaço. Lima afirmou a articuladores que vai fazer “barulho” para evitar prejuízos ao Amazonas. Dentro do União Brasil, o movimento do governador foi visto como uma tentativa de surfar na onda do momento e marcar posição como uma figura opositora ao grupo de Lula, mesmo que ainda não tenha definido seu próprio futuro político.

SELANDO A PAZ

A visitinha de Tarcísio à casa de Bolsonaro, aliás, foi uma das primeiras autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes desde decretação da prisão domiciliar do ex-presidente. E ocorre pouco depois do desgaste do governador Paulista com Eduardo Bolsonaro, em razão do tarifaço de Trump. Pessoas envolvidas no encontro de ontem afirmaram à coluna que a visita foi uma forma de “selar as pazes” com o clã Bolsonaro, e também um aceno de que Tarcísio não está tão fora assim de uma eventual disputa ao Planalto.

PUNIÇÃO

PT, PSB e PSOL recorreram à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados para pedir suspensão sumária, por seis meses, dos mandatos de cinco parlamentares que paralisaram, entre terça a quarta-feira, os trabalhos da Casa. O afastamento cautelar dos bolsonaristas tem como base o Regimento Interno da Câmara e o Código de Ética e Decoro Parlamentar. Os parlamentares citados nas ações são: Júlia Zanatta (PL-SC), Marcos Pollon (PL-MS), Paulo Bilynskyj (PL-SP), Zé Trovão (PL-SC) e Marcel van Hattem (NOVO-RS). As petições são assinadas pelos líderes Lindbergh Farias( PT), Pedro Campos (PSB), e Talíria Petrone (PSOL).

ACORDÃO OU CASTIGO?

Pessoas próximas do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmam que ele vai aderir ao acordo costurado entre líderes de partidos e o ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), para retirada do foro privilegiado nos processos contra parlamentares no Supremo Tribunal Federal. Foi o acordo pela pauta que colocou fim ao motim dos deputados bolsonaristas que insistiam em impedir os trabalhos no plenário. Motta não participou diretamente da conversa, nesta quinta-feira, na sala de Lira, mas deu aval para a costura. Ele chegou a negar ter negociado projetos em troca da desocupação do plenário, mas, segundo seus interlocutores, não há como voltar atrás agora. Motta, que ameaçou tomar providências severas contra os “baderneiros”, agora vai precisar sentar com eles e cumprir a promessa de tocar a pauta. O presidente da Câmara sai com a imagem arranhada e enfraquecido do episódio.

ACORDÃO DE VERDADE

Os amazonenses Eduardo Braga(MDB) e Omar Aziz (PSD) fizeram parte da tropa de choque liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil, para selar um acordo daqueles com os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin e Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal. A proposta para encerrar a crise provocada no Congresso pela decisão de Moraes de mandar colocar uma tornozeleira eletrônica no senador Marcos do Val (Podemos-ES), na última segunda-feira, inclui um pedido de revisão das medidas cautelares contra o político, que será apresentado pelo Senado nos próximos dias. Moraes vai aceitar, e o combinado é que, mais à frente, a própria mesa diretora do Senado suspenda o mandato do senador como consequência da divulgação de relatórios sigilosos da Abin sobre o 8 de janeiro que foram entregues à Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência. O acordão foi selado terça-feira, à noite, na casa do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, em Brasília.

FERVURA

O Ministério das Relações Exteriores convocou nesta sexta-feira o encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos sobre postagens recentes do Departamento de Estado e da própria embaixada do país aqui no Brasil. Na rede social X, a embaixada escreveu: “O ministro Moraes é o principal arquiteto da censura e perseguição contra Bolsonaro e seus apoiadores. Suas flagrantes violações de direitos humanos resultaram em sanções pela Lei Magnitsky, determinadas pelo presidente Trump. Os aliados de Moraes no Judiciário e em outras esferas estão avisados para não apoiar nem facilitar a conduta de Moraes. Estamos monitorando a situação de perto.” O supremo não se manifestou oficialmente sobre a postagem, mas reservadamente, integrantes da Corte afirmaram à coluna que o tom de ameaça não vai intimidar o Tribunal. O episódio irritou também o Governo, que acionou de imediato o Itamaraty. A chamada de um diplomada para prestar esclarecimentos é considerada na diplomacia como uma escalada na degradação das relações entre dois países. Fontes do Itamaraty alertam que o desgaste chegou ao ponto de fervura.

IMPEACHMENT

Entre os senadores do Amazonas, Plínio Valério (PSDB) foi o único a assinar o pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, mesmo com orientação da cúpula do partido para não entrar neste balaio. Vale lembrar, Moraes já integrou o PSDB e foi secretário de Segurança Pública em São Paulo nos governos do partido. Omar Aziz e Eduardo Braga não endossaram a iniciativa, que não deve prosperar, a depender do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Ele tem dito a correligionários que não vai comprar uma briga com o STF. Fontes próximas do senador lembram que muitos parlamentares enfrentam processos na Corte, alguns deles, “congelados” há um tempo. E comprar uma briga com os ministros neste momento poderia unir ainda mais seus integrantes e trazer um efeito reverso com prejuízos incalculáveis para senadores e deputados.

CPMI NO FOCO

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que vai investigar as fraudes e descontos não autorizados feitos por sindicatos em aposentadorias e pensões do INSS deve ser instalada nos próximos dias. A ideia era ter feito isso na quinta-feira, mas o motim dos bolsonaristas atrapalhou o projeto inicial. O presidente da CPMI, senador Omar Aziz, tem pressa. Além de voltar a falar pelos quatro cantos do Congresso que vai evitar polarização política e focar os trabalhos no favorecimento dos aposentados e pensionistas, correligionários do senador afirmam que a pressa é grande para que os trabalhos sirvam de vitrine para o pré-candidato ao governo do Amazonas. Um dos apoiadores mais animados, afirmou à coluna que o objetivo é “bombar” a imagem de Omar para usar depois com força na campanha estadual. O relator da comissão, no entanto, ainda não foi definido. A expectativa é que seja um deputado de centro, sem ligação com o bolsonarismo e que não tenha compromisso com a base do governo. O nome será indicado por Hugo Motta.

(*) Jornalista há 21 anos, passou por veículos da grande Mídia como O Estado de São Paulo e TV Globo. Atualmente, é repórter e apresentador de TV Record. Atua há oito anos na cobertura política em Brasília, com foco nos Três Poderes. Trafega entre as principais autoridades do País. Constantemente de olho nos bastidores das decisões tomadas na Capital Federal que impactam todo o Brasil, principalmente o Amazonas.

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