Manaus, 5 de setembro de 2026
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Cenário

Contrato de R$ 790 mil com a Prefeitura de Parintins para show da Calcinha Preta é investigado

Promotoria questiona modalidade da contratação, execução financeira, patrocínios e uso de estrutura pública no evento.

(Foto: Divulgação/ Prefeitura de Parintins)

Manaus (AM) – O Ministério Público do Amazonas (MPAM) instaurou um Inquérito Civil para investigar a contratação da Banda Calcinha Preta para as festividades dos 173 anos de Parintins, realizada pelo valor global de R$ 790 mil.

A investigação é conduzida pela 3ª Promotoria de Justiça de Parintins e busca verificar se a contratação, a execução financeira do contrato e a utilização de recursos públicos seguiram as regras legais.

O procedimento também envolve o prefeito de Parintins, Mateus Ferreira Assayag, que representa o município no processo. A Prefeitura foi incluída como investigada/noticiada, sem prejuízo de eventual inclusão de outros agentes públicos ou particulares durante a apuração.

MP vê aparente contradição na contratação

Um dos principais pontos levantados pelo Ministério Público é uma aparente contradição entre a justificativa utilizada para a contratação e o instrumento efetivamente formalizado.

Nas razões de escolha, a Comissão Municipal de Contratação teria utilizado a hipótese de inexigibilidade de licitação, com fundamento no artigo 74, inciso II, da Lei nº 14.133/2021.

Entretanto, segundo o MPAM, o contrato foi formalizado com a empresa R de A Pessoa Ltda., por meio da Ata de Registro de Preços nº 12/2025, originada do Pregão Eletrônico nº 18/2025.

A Promotoria considera necessário esclarecer a compatibilidade entre esses instrumentos e verificar a regularidade da contratação.

R$ 790 mil e patrocínios privados

Outro ponto da investigação é a origem dos recursos utilizados para custear o evento.

O MPAM quer saber como ocorreu a execução orçamentária e financeira do contrato e como foram tratados os valores obtidos por meio de patrocínios privados, vinculados ao Credenciamento nº 035/2025.

Por isso, a Prefeitura terá de apresentar documentos que comprovem o efetivo ingresso no erário municipal dos valores captados como patrocínio, além da prestação de contas e da respectiva contabilização.

O MP também quer uma planilha completa dos gastos do evento, incluindo cachê, palco, som, iluminação, geradores, segurança, transporte, hospedagem, alimentação, seguros e comunicação.

A Prefeitura deverá informar ainda todos os contratos e fornecedores envolvidos, com CNPJ, objeto e valor.

Uso de estrutura da Prefeitura também entrou na mira

A investigação não se limita aos R$ 790 mil do contrato artístico.

O MPAM quer saber se houve utilização de veículos, servidores ou estrutura logística pertencentes ao município em favor do evento.

Caso tenha ocorrido, a Prefeitura deverá apresentar os atos autorizativos e comprovar eventual ressarcimento ao erário.

A Promotoria também vai verificar se todas as obrigações previstas no contrato foram cumpridas e se a fiscalização municipal da execução foi adequada.

TCE-AM será acionado

O Ministério Público determinou ainda que o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) seja consultado para informar se existe algum procedimento de fiscalização ou tomada de contas especial relacionado ao contrato ou aos gastos das festividades de aniversário de Parintins.

A Prefeitura terá 15 dias para apresentar a documentação requisitada pelo MPAM.

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