(Foto: Divulgação /TRE)
Manaus (AM) – As eleições de 2026 devem ocorrer em um ambiente considerado de alta complexidade de acordo com a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A nova edição do relatório, divulgada nesta semana, afirma que o país enfrenta ameaças simultâneas que podem afetar a estabilidade institucional e a confiança no pleito.
Entre elas estão a disseminação de desinformação, o uso de tecnologias como deepfakes, tentativas de deslegitimação das instituições, interferência externa, polarização social e a expansão territorial de facções e milícias, que já influenciam a dinâmica política em várias regiões.
Segundo o documento, desde 2018 a circulação de conteúdos falsos vem causando dúvidas sobre a segurança do sistema eleitoral, contribuindo para episódios como os ataques de 8 de janeiro de 2023.
A Abin alerta que, em 2026, a produção de desinformação será potencializada por ferramentas de inteligência artificial capazes de simular falas e comportamentos de candidatos.
O relatório afirma que algoritmos e bolhas informacionais ampliam a polarização e dificultam a aceitação dos resultados.
Além de campanhas coordenadas de desinformação, a agência também identifica riscos de interferência externa por meio de ataques cibernéticos e operações de propaganda direcionadas ao debate público.
A instrumentalização política de crenças religiosas e o crescimento do extremismo violento também são apontados como fatores que podem gerar instabilidade.
Crime organizado avança e interfere na dinâmica eleitoral
O relatório alertar que facções e milícias já exercem influência direta ou indireta no voto em diversas regiões do país. Segundo a Abin, grupos criminosos ocupam áreas de baixa presença estatal e controlam serviços, circulação de pessoas e até relações comunitárias, criando dependência da população.
O documento afirma que esse movimento não é isolado: trata-se de um fenômeno nacional, em que facções atuam como estruturas paralelas de poder, impondo normas e interferindo no comportamento eleitoral.
Entre as práticas identificadas estão repressão no dia da votação, restrições de circulação, financiamento de campanhas e indicação de candidatos alinhados a interesses criminais.
Economias ilegais fortalecem atuação territorial
A Abin detalha que a expansão desses grupos é sustentada por atividades como exploração imobiliária irregular, grilagem urbana, segurança privada clandestina, transporte ilegal e controle de mercados paralelos.
Essas economias ampliam o poder financeiro das facções e consolidam seu domínio territorial, dificultando a atuação institucional e criando barreiras para a liberdade de voto.
Em algumas regiões, segundo o relatório, representantes do crime circulam com mais facilidade do que agentes públicos, enquanto a presença policial é limitada.
Esse cenário faz com que o processo eleitoral reflita a correlação de forças entre grupos armados que controlam territórios.
Instituições pressionadas, mas com capacidade de resposta
O documento aponta que a deslegitimação das instituições democráticas permanece como um dos maiores desafios, pois enfraquece a confiança no Judiciário, Legislativo e Executivo.
Narrativas de fraude, focadas especialmente nas urnas eletrônicas, tendem a dificultar a aceitação dos resultados.
2026 será um teste para o Estado de Direito
A agência conclui que as eleições de 2026 representarão um teste decisivo para a preservação da democracia. Para enfrentar os riscos identificados, o relatório defende uma estratégia que combine políticas sociais, urbanísticas, econômicas e de segurança, além da recuperação da presença estatal em áreas dominadas pelo crime organizado.
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