Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Política

‘Famílias estão abandonadas pelo poder público,’ diz morador de Humaitá

A situação, no entanto, não é novidade para as autoridades federais. Em 2014, o município enfrentou uma cheia histórica, onde o nível das águas registrado foi de 25, 44 metros.

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Foto: (Arquivo Pessoal)

Brasília (DF) – Ofícios com pedidos de ajuda, e cobranças sobre as medidas tomadas pelo governo federal em relação ao município de Humaitá não estão sendo suficientes para tirar a população do alagamento causado pelas fortes chuvas e pela cheia do Rio Madeira.

A situação, no entanto, não é novidade para as autoridades federais. Em 2014, o município enfrentou uma cheia histórica, onde o nível das águas registrado foi de 25, 44 metros. Mas de 18 mil pessoas ficaram desabrigadas.

Arleson Galvão Pereira, de 31 anos, trabalha como motoboy na região, e afirmou que muitas famílias estão “abandonadas pelo poder público”e em locais improvisados pela prefeitura da cidade.

Em um vídeo encaminhado a reportagem, é possível ver as ruas alagadas e bloqueadas devido a cheia. Em algumas regiões, o material “rachão” foi colocado para facilitar a passagem dos carros, em outras, pontes de madeira dão suporte aos pedestres e motociclistas.

“Um dos bairros mais afetados pela alagação, Santo Antônio (…) a população está em uma situação difícil, várias casas foram atingidas, o acesso da ponte é limitado. Pedimos ao poder público que veja ajudar a população humaitaense,” disse o trabalhador.

Barracas montadas pela prefeitura, rachão e inundação no bairro – Foto: (Ray Peixoto)

Pagos pelo povo, parlamentares estão buscando ajuda federal?

O Portal AM1 questionou todos os parlamentares sobre o que foi feito para ajudar os municípios que sofrem com a cheia do Rio Madeira, principalmente Humaitá. Da bancada do Amazonas, apenas três apresentaram resposta.

“Não se trata de uma tragédia inesperada. Trata-se de uma tragédia anunciada e recorrente, que escancara a ausência de planejamento, de investimento e de respeito com a população da Amazônia, disse o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL).

O parlamentar encaminhou um requerimento de informação questionando as ações do Ministério de Estado da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). Apesar de criticar as notas técnicas do governo, o deputado seguiu na mesma linha de ação.

Assim com ele, o senador Plínio Valério (PSDB) encaminhou um ofício ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), onde a resposta oficial pode demorar até 30 dias.

O Portal AM1 procurou o DNIT para entender o andamento do documento, e foi informado que o pedido de Valério está na superintendencia do Amazonas e que deve ser respondido conforme estipulado pela Lei de Acesso à Informação (LAI).

O MIDR também foi questionado, e em nota reafirmou que a situação está sendo analisada.

“Os planos de trabalho são analisados pela equipe técnica da Defesa Civil Nacional. Com a aprovação, é publicada portaria no DOU com o valor a ser liberado para ajuda humanitária, ações de reestabelecimento ou reconstrução”.

Em contrapartida, Silas Câmara (Republicanos) esteve em sua base eleitoral e acompanha o que vem sendo feito pela prefeitura da cidade.

Entre 2017 e 2020, o deputado encaminhou mais de meio milhão para a região.  O recurso deveria ser usado para melhorias sanitárias e construção de calçadas com meio-fio e sarjetas com contenção lateral de aterro em vias pavimentadas.

O que foi feito?

Em suas redes sociais, o parlamentar afirmou ter procurado o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para que a Pasta envie recursos para a saúde do município.

“A expectativa é que, nos próximos dias, os três municípios recebam ajuda da emergência de saúde,” diz o deputado em seu perfil.

Após a pressão, o Ministério da Saúde liberou R$ 361.004,73 para Humaitá.

O Ministério do Desenvolvimento Regional também encaminhou recursos para auxiliar a região e outros três municípios que tiveram situação de emergência decretada:

  • Humaitá: R$ 1.140.620,00
  • Borba: R$ 951.960,00
  • Manicoré: R$ 1.136,745,00
  • Apuí: R$ 684.640,00

Atualização sobre a cheia dos rios no Amazonas

Com mais de 209 mil pessoas afetadas pelas cheias, 20 municípios do Amazonas estão em situação de emergência reconhecida pelo governo federal.

Até junho, as famílias que residem próximo aos rios, Madeira, Solimões, Jutaí, Amazonas e Purus devem permanecer em alerta.

Veja o nível dos rios em alguns dos municípios afetados: 

  • Rio Madeira: 21,32 metros – Borba
  • Rio Amazonas: 16,08 metros – Tonantins
  • Rio Solimões: 23,40 metros – Juruá
  • Rio Jutaí: 25,32 metros – Jutaí
  • Rio Purus: 8,73 metros – Boca do Acre

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