Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Coluna AM1

Lula manda recado direto: Amazonas virou prioridade de campanha

Com ministros em missão especial e obras do PAC em jogo, Planalto acelera para cacifar Omar e tentar salvar a imagem do governo na região Norte.

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(Fotos: Roberta Aline/ MDS; Luara Baggi/ASCOM/MCTI; Ricardo Stuckert/PR; Assessoria)

Coluna Conexão Brasília – Por Clébio Cavagnolle*

Missão especial

A ida para Manaus dos ministros Wellington Dias, do Desenvolvimento e Assistência Social, e Luciana Santos, da Ciência, Tecnologia e Inovação, foi uma missão determinada diretamente pelo presidente Lula, depois de ouvir correligionários que apontaram a necessidade de melhorar a imagem do Governo no Amazonas. Wellington Dias, em especial, foi para discutir investimentos na Zona Franca, além de projetos na área social. No Planalto, a ordem é expressa para fortalecer ações na região norte do Brasil, principalmente no Amazonas, para cacifar não só o nome de Lula na corrida presidencial do ano que vem, mas também viabilizar os aliados, como Omar Aziz, pré-candidato ao governo do Estado, além de Marcelo Ramos, na busca por uma vaga no Senado.

Troféu

Já existe um consenso no entorno de Lula de que é preciso priorizar o andamento da exploração de petróleo na Foz do Amazonas. A conta que se faz no Planalto é simples: vai resultar em desenvolvimento para toda a região norte, e de quebra, garantir o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em meio à crise entre os Poderes Executivo e Legislativo. Interlocutores de Lula dizem que é uma questão de garantir alguma governabilidade no Congresso Nacional e aliviar as tensões com os parlamentares.

PAC para Omar

Ainda na força-tarefa do Governo para turbinar ações no Amazonas, e para cacifar o aliado Omar Aziz, a ministra de Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann,
se comprometeu, nesta semana, a buscar recursos para as obras de reforma e ampliação da infraestrutura do aeroporto regional de Carauari. Tudo via novo PAC, Programa de Aceleração do Crescimento. Falta só a benção do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa.

Pegou mal

Durante audiência na Câmara com a participação da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o deputado Capitão Alberto Neto, do PL, decidiu alfinetar a ministra, alvo recentemente de uma série de desrespeitos no Senado. Em maio, ela deixou uma sessão da Comissão de Infraestrutura da Casa após bate-boca com senadores diante de discordâncias sobre a pavimentação da rodovia BR-319, que liga Porto Velho a Manaus. Na Câmara, Alberto Neto tentou colocar Marina contra a base governista e sugeriu que ela se desligasse do governo Lula. “Eu sei que lá atrás a senhora já pediu demissão desse governo. Eu acho que chegou a hora da senhora pedir demissão novamente. Porque esse governo não lhe apoia em nada”, disse o deputado. Marina não mordeu a isca e ainda engrandeceu a relação que mantém com o presidente Lula. Pegou mal para o capitão, que pode ser alvo de uma representação da Secretaria da Mulher da Câmara na Corregedoria Parlamentar. A medida será tomada contra o deputado Evair de Melo, do PP-ES, que ofendeu a ministra dizendo que ela teria sofrido “adestramento” pela ideologia de esquerda. Deputados ligados à secretaria avaliam uma denúncia envolvendo todos os deputados que atacaram Marina, inclusive, Alberto Neto.

Atraso na reforma

A entrega do relatório do projeto de lei complementar 108/2024, última regulamentação da reforma tributária do consumo, foi adiada pelo relator, senador Eduardo Braga. O texto só deve ser aprovado depois do recesso parlamentar, em meados de agosto. Fontes ligadas a Braga dizem que a decisão foi a pedido do Ministério da Fazenda para afinar pontos sensíveis da proposta. Mas, o senador não ficou muito feliz com o quadro. Braga quer a reforma como vitrine para impulsionar a campanha à reeleição para o Senado, que prevê um cenário acirrado com tantos pré-candidatos.

A força do GilmarPalooza

Que o tradicional Fórum de Lisboa, organizado pelo ministro do STF, Gilmar Mendes, leva à Capital Portuguesa dezenas de políticos e ministros de governo e dos tribunais superiores todo ano, todo mundo já sabe. O que tem ficado cada vez mais evidente, e que veio à tona nos últimos dias, é que Lisboa passou mesmo a pautar o Brasil. Nos eventos e jantares paralelos, regados aos melhores vinhos portugueses, são definidos os rumos e o futuro do Brasil, como nesta sexta-feira, com a costura de um possível acordo entre governo e congresso em torno da crise do IOF, e uma decisão de Alexandre de Moraes para suspender os decretos que levaram à tensão entre os poderes, tomada em terras lusitanas. Mais que isso, nesta edição, líderes dos grandes partidos brasileiros discutiram o futuro de eventuais fusões que estavam previstas. A surpresa é que algumas podem não acontecer. Entre elas, o possível casamento entre os partidos Republicanos e Movimento Democrático Brasileiro, o MDB. O presidente do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, manteve conversas com lideranças do MDB, entre elas, o ex-presidente Michel Temer. Fontes que acompanharam as conversas afirmam que as siglas têm observado que uma fusão não levaria a um cenário tão favorável. Pior para Eduardo Braga, que sairia fortalecido em um eventual comando da federação no Amazonas. Certo que é cedo ainda para 2026, mas sempre tarde para decisões estratégicas. O fato é que as discussões sobre a corrida eleitoral em todas as esferas deixou Portugal para se consumar no Brasil, nos próximos dias. E como sempre na política, pode mudar conforme o vento.

(*) Jornalista há 21 anos, passou por veículos da grande Mídia como O Estado de São Paulo e TV Globo. Atualmente, é repórter e apresentador de TV Record. Atua há oito anos na cobertura política em Brasília, com foco nos Três Poderes. Trafega entre as principais autoridades do País. Constantemente de olho nos bastidores das decisões tomadas na Capital Federal que impactam todo o Brasil, principalmente o Amazonas.

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