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PM desenvolve projeto com cavalos para ajudar crianças com deficiência

Cerca de 600 pessoas, entre crianças e adultos, são beneficiadas com a Equoterapia, um projeto social da PM que já dura há 27 anos

Projeto é gratuito e acessível a comunidade (Carlos Bolívar/Amazonas1)

Conhecidos por força e velocidade, cavalos estão sendo usados para auxiliar na reabilitação de crianças e adolescentes com deficiência em Manaus, por meio da Equoterapia, um projeto social desenvolvido pela Polícia Militar há 27 anos.

De acordo com o comandante da Cavalaria, major D. Muniz, o projeto atende mais de 600 praticantes com diversas especialidades, como Síndrome de Down, Autismo, debilidade psicomotora, paralisia cerebral, entre outros. Crianças, adultos e idosos podem fazer a Equoterapia, que é gratuita.

“O projeto é de caráter filantrópico, acessível a toda a comunidade, desde que tenha a indicação de um médico especialista. Ele vem até a nossa equipe, onde nós temos terapeutas, psicólogo, fisioterapeuta […] que vão analisar se aquele paciente tem condições de fazer. Ele vai entrar na fila e posteriormente, de acordo com o número de vagas, será chamado “, explicou.

Crianças e adultos podem fazer terapia (Carlos Bolívar/Amazonas1)

Atualmente, 50 pessoas, entre crianças e adultos, fazem parte do projeto. Entre os benefícios estão a melhora da autoestima, autoconfiança, postura e fortalecimento da musculatura.

“É uma terapia que usa o cavalo para trazer bem-estar. O cavalo é completo porque com todo esse movimento tridimensional que ele tem, pra frente e pra trás, ele emite vários impulsos que ajudam essas pessoas”, explicou a tenente Daiane Veras, chefe do Departamento da Equoterapia.

A tenente disse ainda que, uma das maiores demandas do projeto são autistas. A terapia auxilia na socialização e desenvolvimento das pessoas diagnosticadas com o espectro.

“Geralmente quando ele [autista] procura a Equoterapia porque ele não socializa, é muito imperativo, não se comunica com ninguém. E quando ele está no cavalo, ainda mais quando ela grita ou tem comportamentos que geram estresse, ele acalma. A criança quando está no cavalo entende tudo o que está sendo feito”, informou.

Em relação aos demais públicos, como PCDs que geralmente possuem dificuldades nos membros inferiores ou superiores, a tenente explica que eles possuem outros estímulos emitidos pelo animal.

“Tem crianças que não tem o tônus muscular fortalecido […] e através do estímulo que o cavalo emite, ele consegue fortalecer. Vários estudos demonstram que essa pisadura do cavalo, a forma como ele anda, […] são movimentos que vão desenvolver essa criança”.

A equipe da Equoterapia é composta por uma psicóloga civil, fisioterapeuta civil, uma equoterapeuta da área de veterinária e quatro policiais militares. Diariamente, a cavalaria recebe 10 praticantes, como é o caso do Francisco Soares, de 11 anos, que tem paralisia cerebral.

Equipe possui profissionais civis e militares (Carlos Bolívar/Amazonas1)

A mãe, Doariane Soares, de 40 anos, acompanha a prática e notou uma melhora na autoestima do filho após o início da terapia. “Ele desenvolveu bastante na postura, no andar dele e o desenvolvimento dele com as pessoas. Antes ele era muito fechado, muito travado, ele tinha vergonha e medo das pessoas julgarem ele. Hoje em dia, com a Equoterapia, ele se valoriza mais […] e sabe que isso [paralisia] não impede ele de galgar um futuro”, explicou.

Para Francisco, andar a cavalo é muito emocionante e deixou de ser um hobby, agora ele alimenta o sonho de representar a Cavalaria da PM em competições e até disputar uma paraolimpíada.

“Eu acho muito legal, interessante e emocionante [andar a cavalo]. Eu comecei a ver os jogos do Pan na Tv e é isso [surgiu o sonho]”, disse.

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