Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Brasil

Mortalidade cresce no Brasil e acende alerta para crise silenciosa

Homens jovens lideram óbitos por causas violentas, aponta levantamento do IBGE.

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(Foto: Ingrid Anne/ Semcom)

Manaus (AM) – O Brasil registrou quase 1,5 milhão de mortes em 2024, segundo dados da pesquisa Estatísticas do Registro Civil, divulgada nesta quarta-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O número representa um crescimento de 4,6% em relação a 2023, quando o país contabilizou cerca de 1,4 milhão de óbitos.

Apesar da alta expressiva, o total de mortes em 2024 ainda fica 0,6% abaixo do patamar de 2022, ano que marcou o fim do período mais crítico da pandemia de Covid-19, com aproximadamente 1,5 milhão de registros.

De acordo com o IBGE, esse foi o maior aumento anual fora do período pandêmico nos últimos 20 anos. Antes da crise sanitária, nenhuma variação havia ultrapassado 3,5%.

Evolução das mortes no Brasil

  • 2019 – 1,3 milhão

  • 2020 – 1,5 milhão

  • 2021 – 1,8 milhão

  • 2022 – 1,5 milhão

  • 2023 – 1,4 milhão

  • 2024 – 1,5 milhão

2019 foi o último ano antes da pandemia.

Entre 2020 e 2023, a Covid-19 provocou mais de 700 mil mortes no país, segundo registros oficiais.

Envelhecimento da população explica aumento

A demógrafa Cíntia Simões Agostinho, analista da pesquisa, explica que o crescimento no número de óbitos é um comportamento esperado e está diretamente relacionado ao envelhecimento da população brasileira.

“Onde ocorrem mais óbitos? Nas pessoas mais velhas. Então, o que a gente espera daqui para frente é um aumento do número de óbitos, porque a população vai envelhecendo”, afirma.

A gerente da pesquisa, Klívia Brayner, ressalta que o IBGE não detalha as causas específicas das mortes, mas lembra que doenças do aparelho circulatório seguem como as principais responsáveis, como infarto e problemas cardíacos.

Ela também chamou atenção para o crescimento de 11,6% no número de mortes no Distrito Federal entre 2023 e 2024.

“Teve aumento de óbitos por causas de dengue”, destacou.
“Mas a pesquisa teria que fazer um estudo utilizando outras fontes para entender essa informação.”

Morrem mais homens do que mulheres

Os dados mostram que, em 2024, 90,9% das mortes foram por causas naturais, enquanto 6,9% ocorreram por causas não naturais, como homicídios, suicídios, acidentes de trânsito, afogamentos e quedas. Em 2,2% dos casos, a causa não foi informada.

O levantamento também revela que morrem mais homens do que mulheres no país. Para cada 100 mortes de mulheres, foram registradas 120 mortes de homens.

Em relação aos óbitos por causas não naturais, a desigualdade é ainda maior:

  • Homens: 85,2 mil mortes

  • Mulheres: 18 mil mortes

Ou seja, o número de mortes masculinas por causas externas foi 4,7 vezes maior que o feminino.

A diferença é mais expressiva entre jovens de 15 a 29 anos, faixa etária em que a sobremortalidade masculina é 7,7 vezes maior que a feminina.

Nascem mais meninos

O IBGE também aponta que, em 2024, nasceram 105 meninos para cada 100 meninas, mantendo a tendência histórica de maior número de nascimentos do sexo masculino no país.

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