Manaus, 6 de julho de 2026
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Manaus, 6 de julho de 2026

Brasil

Motoristas de app podem ganhar menos com novas regras em debate na Câmara

Palácio do Planalto diz que proposta enfraquece proteção social e favorece empresas do setor de aplicativos.

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(Foto: Roberto Stuckert Filho /PR)

Manaus (AM) – Motoristas e entregadores de aplicativo podem ser impactados por redução no piso de remuneração e flexibilização de direitos no novo parecer do deputado Augusto Coutinho  (Republicanos-PE) sobre a regulamentação do setor. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva articula a rejeição do texto na Câmara.

A proposta, que integra o PLP 152/2025, mantém trabalhadores como autônomos, sem vínculo empregatício. O relator fixou piso de R$ 8,50 por corrida, abaixo dos R$ 10 defendidos pelo Planalto, e prevê dois modelos de remuneração: por taxa mínima ou por tempo efetivo de trabalho.

Para o governo, a possibilidade de escolha do modelo pelas plataformas pode reduzir ganhos e enfraquecer a proteção aos trabalhadores. Também são criticadas mudanças em adicionais noturnos e pagamentos em domingos e feriados.

Outro ponto de divergência é a transparência. O parecer amplia o uso do argumento de “segredo de negócio”, restringindo o acesso a dados sobre critérios de distribuição de corridas e valores cobrados dos usuários.

Na área de proteção social, o texto exclui cobertura para invalidez temporária, limita o conceito de acidente de trabalho e transfere a responsabilidade por pontos de apoio, como locais de descanso para políticas públicas, em vez de obrigação das empresas.

O governo também aponta redução de custos previdenciários para as plataformas e abre crítica à previsão de tempo mínimo de conexão dos trabalhadores.

Coordenado pelo ministro Guilherme Boulos, o Planalto deve apresentar emendas durante a tramitação, incluindo piso de R$ 10 por corrida, adicional de R$ 2,50 por quilômetro rodado e regras mais claras para entregas múltiplas.

A avaliação no governo é de que o texto enfraquece garantias trabalhistas e amplia a margem de decisão das plataformas digitais.