(Foto: Divulgação/Governo do Amazonas)
Manaus (AM) – A poucos dias das eleições, supostas visitas a beneficiários de programas sociais e a entrada de cerca de R$ 1,4 bilhão de uma operação de crédito nos cofres do Amazonas foram colocadas sob questionamento pelo deputado estadual Rozenha (PMB), durante pronunciamento no plenário da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) nesta semana.
Da tribuna, Rozenha afirmou que pessoas estariam percorrendo residências para realizar recadastramentos e coletar informações que incluiriam local de votação e número do título de eleitor. O parlamentar cobrou explicações sobre quem realiza as visitas e qual a finalidade da coleta desses dados.
“Vamos pedir para a secretária de Ação Social vir a esta Casa e explicar o que comissionados da Secretaria fazem pelas ruas de Manaus recadastrando pessoas e perguntando quantas famílias moram na residência, onde vota, número de título”, afirmou.
A cobrança coloca a Secretaria de Estado de Assistência Social e Combate à Fome (Seas) no centro dos questionamentos apresentados no plenário. Rozenha defendeu que a titular da pasta compareça à Aleam para esclarecer se existe recadastramento em andamento, quais equipes estão nas ruas e quais dados são solicitados aos moradores.
R$ 1,4 bilhão às vésperas da eleição
Rozenha também direcionou o discurso à operação de crédito de aproximadamente R$ 1,4 bilhão do Governo do Amazonas. O parlamentar questionou por que os recursos precisam entrar nos cofres estaduais antes da votação.
“Falta bom senso quando se luta com unhas e dentes para se conseguir um empréstimo da casa de R$ 1 bilhão e 400 milhões há 20 dias de uma eleição. Não é razoável”, declarou.
O deputado voltou a cobrar explicações sobre o momento escolhido para a operação.
“Por que você quer esse dinheiro? Por que não espera terminar a eleição para você colocar esse dinheiro no caixa e, assim, sanear e criar um fluxo de caixa e colocar as contas em ordem?”, questionou.
A operação de crédito já vinha sendo alvo de discussão judicial. O financiamento chegou a ser suspenso por decisão liminar, mas o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) manteve posteriormente a possibilidade de continuidade do processo. Em setembro, o Ministério da Fazenda também autorizou a concessão de garantia da União para a operação.
“Não se vale tudo”
Ao relacionar os dois episódios ao período eleitoral, Rozenha afirmou que pretende levar os questionamentos à Justiça Eleitoral.
“Não se vale tudo, não se pode fazer tudo para vencer”, disse.
O parlamentar ainda questionou a quantidade de pessoas que, segundo ele, estaria atuando nas ruas durante a campanha e citou situações que também estariam ocorrendo em municípios do interior.
As declarações de Rozenha, no entanto, não comprovam eventual irregularidade eleitoral. A existência das visitas, a vinculação das pessoas citadas pelo deputado à estrutura estadual e eventual finalidade eleitoral precisam ser verificadas pelos órgãos competentes.
Confira:
LEIA MAIS:
- “Puxadinho do Palácio”: Rozenha reage a votação relâmpago de projeto enviado pelo Governo Roberto Cidade
- ‘É querer fazer a gente de leso’, afirma Rozenha sobre Governo do AM apoiar com R$ 6 milhões Federação de Tênis
- Rozenha critica verba para tênis e dispara contra Roberto Cidade: ‘Não merece o voto’





