Manaus, 7 de julho de 2026
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Manaus, 7 de julho de 2026

Política

No Twitter, Ernesto Araújo critica e ‘afaga’ Bolsonaro

Ernesto Araújo criticou Bolsonaro dizendo que o chefe do Executivo faz um governo "sem alma nem ideal"; ex-ministro deixou o cargo há um mês

Cloroquina

Foto: Valter Campanato / Agência Brasil

BRASÍLIA, DF – Neste sábado (1°), o ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, criticou o governo Bolsonaro em seu perfil no Twitter. As críticas vêm um mês após Araújo pedir demissão do Itamaraty.

“Um governo popular, audaz e visionário foi-se transformando numa administração tecnocrática sem alma nem ideal. Penhoraram o coração do povo ao sistema. O projeto de construir uma grande nação minguou no projeto de construir uma base parlamentar”, diz uma das postagens.

“Assisti a esse processo com angústia e inconformidade, e fiz o que pude, até onde pude, para preservar a visão original. Nisso estive quase sozinho. Vi confiscarem ao presidente seu sonho, anularem suas convicções, abafarem sua chama. (Não deixei que abafassem a minha.)”, escreveu o ex-ministro.

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Após dois anos como chanceler, Ernesto pediu demissão sob pressão da cúpula do Congresso e em meio a desavenças com diferentes setores da sociedade, como empresários, lideranças do agronegócio e até outros setores do governo. Ele foi substituído pelo embaixador Carlos Alberto Franco França.

Acusado de omissão no combate à pandemia, o ex-chanceler queixou-se no texto de sua carta de demissão, publicada no fim de março, de “uma narrativa falsa e hipócrita, a serviço de interesses escusos nacionais e estrangeiros, segundo a qual minha atuação prejudicaria a obtenção de vacinas”.

Críticas

Em suas postagens na rede social neste sábado (1º), Ernesto afirmou que o governo de Jair Bolsonaro fez avanços. No entanto, em 2020 “a reação do sistema, cavalgando a pandemia, começou a desmantelar essa esperança”.

O ex-chanceler também fez comentários sobre reformas e privatizações, alguns dos temas políticos estratégicos para o governo, que rendeu apoio do mercado e a marca de liberal a Bolsonaro em sua eleição.

“Leilões, privatizações, reformas tributária e administrativa? Se não for combatida a essência do sistema, estas serão reformas ‘Gattopardo’: mudanças para que tudo permaneça igual. Nenhuma ‘articulação política’ vai mudar o Brasil. Somente a pressão popular”, afirmou na postagem.

Em uma das mensagens, porém, Ernesto adota um tom mais conciliatório e afirma que continua apoiando o presidente. “Muitos desprezam o sonho do PR [presidente da República] de mudar o Brasil. Eu, ao contrário, sempre acreditei, sempre estive e estarei com ele no seu amor pela liberdade e sua luta para libertar o povo de um sistema opressor. Com o apoio popular estou certo de que ele terá a força necessária para vencer.”

Neste sábado, apoiadores do presidente, vestindo verde e amarelo, se reuniram na avenida Paulista, em São Paulo, em uma manifestação pela defesa da abertura do comércio sem restrição na pandemia. Tradicionalmente, quem ia às ruas no 1º de maio, Dia do Trabalhador, eram as centrais sindicais que, por segurança, organizaram encontros virtuais.

(*) Com informações da Folhapress.