Manaus, 14 de julho de 2026
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Cenário

O Amazonas possui grandes áreas não habitadas; saiba o motivo

Devido à disparidade entre as concentrações demográficas das cidades mais populosas do Amazonas, dados do IBGE revelam existir áreas não ocupadas em grande parte do estado.

(Fotos: unsplash.com/Conscious Design)

Manaus (AM) – O Amazonas está situado na maior região do Brasil, com 1,6 de km² de extensão, o território pode ser uma ótima opção para quem deseja desfrutar de uma experiência ímpar e se integrar  à natureza. Ainda faz fronteira com Roraima, Pará, Mato Grosso, Rondônia e Acre, além de também estar na divisa de três países sul-americanos: Venezuela, Colômbia e Peru.

Devido à disparidade entre as concentrações demográficas das cidades mais populosas do estado amazônico, onde Manaus concentra 2.219.580; Parintins 115.366 e Itacoatiara 102.701 mil habitantes, segundo dados do IBGE, há áreas no Norte onde não há ocupação, especialmente no oeste de Roraima e em grande parte do Amazonas.

Conforme o ambientalista, doutor em Ecologia, Conservação e Manejo de Vida Silvestre, e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Rogério Fonseca, o clima, o sol, a oferta de água, ou a abundância de água, acaba interferindo o processo de ocupação, de consumo e cobertura do solo na ocupação humana na região amazônica, são um dos fatores para que alguns lugares acabem não sendo habitados.

“Podemos dividir em três componentes. Um componente que se referencia na questão abiótica, ou seja, clima, o sol, faz com que alguns lugares acabem não sendo habitados, até mesmo a própria forma da terra. Porque, vamos dar um exemplo bem prático, a região de Gabriel da Cachoeira é uma área formada basicamente pelo conjunto montanhoso, são as mais altas montanhas do território brasileiro e, nessa parte mais alta do Brasil, não existe ocupação, propriamente dita, humana, de forma distribuída, em todo aquele território do município de São Gabriel da Cachoeira. Então, a gente consegue perceber que, na região amazônica, em áreas mais altas, não tem ocupação em determinados locais”.

O doutor em Ecologia explica que um segundo componente, que ele denomina como um componente biótico, é a oferta alimentar. Áreas montanhosas são mais escassas. E o ambientalista ainda lembra que, para dificultar ainda mais, no Amazonas, por pelo menos seis meses do ano, o cidadão amazônida depende do recurso pesqueiro. Nessas áreas mais altas, na época da seca, é bem mais difícil acessar o recurso pesqueiro.

“Os lugares não habitados também têm uma relação socioeconômica muito forte. Algumas pessoas pensam que o fato de não ter estradas de acesso no Amazonas há uma má distribuição, tem uma densidade populacional baixa, mas é justamente os rios que são as estradas; mas a estrutura logística não está sendo utilizada em toda sua potencialidade”, pontua.

O professor Rogério toma como exemplo países que, mesmo sendo menores, conseguem atender toda a região interiorana das suas ‘Amazônias’ respectivas. Tanto na Colômbia, quanto no Peru, e outros países que também têm território amazônico, eles [os governantes] fazem com que a sua população ocupe todo o território.

Enquanto na região do Amazonas existe uma concentração mais nas grandes cidades, especificamente nas capitais, nos municípios lindeiros, há essa dificuldade enorme de fazer com que projetos de desenvolvimento socioeconômico sejam consolidados.

Humaitá

O município de Humaitá é um exemplo disso, destaca Rogério Fonseca. Humaitá é um município no Sul do Amazonas que tem acesso pela estrada, com todo o acesso ao restante do território brasileiro pela BR-319, assim como pela BR-230. Tem solo extremamente fértil na maior parte do ano, tem uma logística por rio, que ela é acessível na maior parte do ano, tem um contingente humano, mas a densidade humana também está concentrada ali na área urbana do município de Humaitá, e nas áreas, adjacentes do município, só os produtores rurais que ocupam essas áreas da região.

“Então, parece que há uma regra quase de super concentração humana só nos núcleos urbanos, deixando o restante, as demais áreas desocupadas. Então, hoje, a descentralização, a distribuição de pessoas por toda a extensão territorial é um obstáculo a ser vencido. Pois tem condição, sim, tecnologia, inclusive, para fazer algum tipo de atividade para ocupar todas as áreas da região”, destaca o professor de Ecologia da Ufam.

O professor Rogério enfatiza que o Amazonas é um estado com 1,5 milhão de quilômetros quadrados e tem uma densidade populacional distribuída num território de aproximadamente 2,5%.

“Os dados mais antigos falam em 2,2 habitantes por quilômetro quadrado. Então, temos uma população muito concentrada na capital. E aí, quando a gente vai dividir com a extensão territorial desse estado-continente chamado Amazonas, vamos ter esse déficit da distribuição humana no território do estado.”

Os municípios do estado de Amazonas que têm menor densidade populacional são: Japurá, São Sebastião do Uatumã, Amaturá e Itamaraty. Isso porque boa parte desses municípios vive do extrativismo; ou seja, do extrativismo nos rios, a pesca, assim como o extrativismo da floresta.

Dados

O estado do Amazonas é dividido em 62 municípios, abrigando 3 941 175 habitantes (1,94% do total do país), sendo a 14ª unidade federativa mais populosa do país. Manaus é a capital e município mais populoso do estado com base no Censo 2022 publicado pelo IBGE no Diário Oficial da União em 28 de junho de 2023.

Contudo, os dados do IBGE ainda apontam que Manaus tem uma densidade demográfica de 181,0 habitantes por km² e uma média de 3,27 moradores por residência.

 

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