Manaus, 6 de julho de 2026
×
Manaus, 6 de julho de 2026

Cenário

Pedido de impeachment: base vê ‘lacração’; oposição fala em dever fiscalizador

Apresentado por Rodrigo Guedes (PP), pedido de impeachment contra David Almeida revela choque entre quem cobra investigação e quem acusa manobra política.

oposicao-e-base-aliada-do-pref

Da esquerda para a direita: Eduardo Alfaia, Rodrigo Guedes e Raulzinho (Foto: Celso Maia/ Portal AM1)

Manaus (AM) – O pedido de impeachment protocolado pelo vereador Rodrigo Guedes (PP), na manhã nesta quarta-feira (11), contra o prefeito David Almeida (Avante), por suposto uso indevido de R$ 41 milhões do Fundeb, aprofunda o embate entre oposição e base governista na Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Muito além de uma denúncia técnica, o episódio reflete a crescente tensão entre dois projetos de atuação parlamentar: de um lado, a oposição que busca ampliar seu papel fiscalizador, e do outro, uma base coesa, alinhada ao Executivo, que reage com firmeza à contestação.

O foco da denúncia está na suposta utilização indevida de recursos que deveriam ser destinados à educação básica, em especial à educação infantil, para cobrir despesas do Manausmed, o plano de saúde dos servidores municipais.

De acordo com Guedes, essa prática viola a legislação federal que regulamenta o Fundeb e caracteriza desvio de finalidade no uso dos recursos públicos.

A base governista, porém, minimiza as acusações. Para os aliados de David Almeida, trata-se de uma tentativa de desgastar politicamente a gestão municipal por meio de um instrumento extremo e sem sustentação jurídica.

“Certamente está acontecendo um grande equívoco e uma tentativa bem clara e nítida de buscar algum holofote, é o que eu enxergo claramente nisso”, afirmou o vereador Eduardo Alfaia, líder do prefeito na Casa.

https://www.instagram.com/reel/DKxhzwrOyl9/?igsh=ZzJxNG5lNG1oY2po

Tensões institucionais e o papel fiscalizador

A movimentação evidencia uma tensão estrutural entre os dois blocos. A oposição, numericamente minoritária, tem encontrado dificuldade para avançar com requerimentos e investigações.

A tentativa de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), por exemplo, já havia sido barrada anteriormente. Agora, com o pedido de impeachment, Rodrigo Guedes desafia não apenas o Executivo, mas também o modo como a base tem conduzido os trabalhos legislativos.

“O parlamento tem o dever constitucional de fiscalizar. Quando a base se fecha completamente a qualquer questionamento, ela abdica de sua função institucional”, argumenta Rodrigo Guedes.

https://www.instagram.com/reel/DKxZkOPuk6I/?igsh=MXVlNWUxYjE2d2pmbg==

Segundo ele, a expectativa é que a presidência da Câmara Municipal coloque em pauta a análise sobre a possibilidade de abertura do processo, conforme determina o regimento interno da Casa. Caso isso ocorra, poderá ser aberto o caminho para que se inicie uma investigação formal sobre o caso.

A base aliada, por sua vez, rejeita a interpretação de que há uma tentativa de obstrução. Segundo seus membros, o papel do Legislativo deve estar centrado na aprovação de políticas públicas e na preservação da governabilidade, evitando disputas que comprometam o andamento dos trabalhos no Congresso.

“O que a população quer, na verdade, é que o poder público municipal, que a Câmara faça à frente as suas necessidades e continue trabalhando, buscando resolver os problemas que nós temos na cidade de Manaus com relação à questão de infraestrutura, um olhar ainda mais atencioso na educação, na saúde básica”. declarou o líder da base.

Disputa por narrativa e governabilidade

O caso mostra uma briga política maior. A oposição tenta se mostrar como uma alternativa ao governo, já que a maioria dos vereadores apoia o prefeito. Por outro lado, os aliados do prefeito tentam desvalorizar as críticas, dizendo que é só uma jogada política para aparecer.

“Esse é o papel da oposição. A oposição que quer lacrar, político de lacração, sempre quer botar pautas, principalmente para chamar a atenção da empresa e da população. Geralmente, parte de um vereador que não tem trabalho em base comunitária, não tem trabalho social, não faz nada, na realidade, pela sociedade, e quer lacrar em rede social e atacar o prefeito, é uma estratégia da oposição”. declarou o vereador Raulzinho (MDB) base aliada do prefeito .

Na prática, a condução do caso será um teste institucional. Se o pedido for analisado com os critérios regimentais, pode representar um avanço no papel fiscalizador da CMM.

LEIA MAIS: