(Foto: Cleuton Silva e Éder França/CMM)
Manaus (AM) – O vereador Rodrigo Guedes (Progressistas) pediu vistas dos projetos em discussão na Câmara Municipal de Manaus (CMM) nesta quarta-feira (12). O líder do prefeito de Manaus, Eduardo Alfaia (Avante), afirmou que a atitude é protelatória e proveniente de uma “birra” do vereador.
Em sessão plenária da Câmara Municipal de Manaus, em dia de votação, o vereador Rodrigo Guedes pediu vistas dos projetos e pareceres em discussão na Casa Legislativa. Porém, um deles motivou uma manifestação do líder do prefeito, Eduardo Alfaia. Trata-se de um projeto que dispõe sobre o auxílio-doença, o salário-família e o auxílio-reclusão no âmbito do serviço público municipal, de autoria do Executivo.
O texto estava aguardando a segunda discussão, conforme prevê a lei, que ocorreria nesta quarta-feira (12). No entanto, com o pedido de vistas do vereador Rodrigo Guedes, o projeto deverá ser votado apenas na próxima semana na Câmara Municipal de Manaus.
Eduardo Alfaia, que já protagonizou diversos embates com Guedes, criticou o pedido de vistas, afirmou que o considerava um absurdo e falou em “birra” do vereador.
“Eu queria lamentar porque estamos tratando de um assunto extremamente importante. […] O vereador está fazendo um pedido de vistas meramente protelatório, ou seja, um grande risco e prejuízo em retardar essa matéria a todos os servidores públicos. Eu queria salientar isso porque nós estamos hoje com essa lamentável birra. Ou seja, atrasando a aprovação de uma matéria extremamente importante”, disse Eduardo Alfaia.
Alfaia pediu que Guedes devolvesse as vistas e afirmou que o vereador não está preocupado com os servidores municipais. Guedes, por sua vez, replicou a fala de Eduardo Alfaia, questionou o voto dele na reforma da Previdência municipal e afirmou que não causou prejuízo a nenhum servidor.
“Se Vossa Excelência diz se preocupar tanto com os servidores públicos, vote contra a proposta de previdência”, argumentou Guedes.
O vereador Raulzinho (MDB), que compõe a Mesa Diretora da CMM, também questionou a postura de Guedes por ter pedido vistas e, assim, ter paralisado momentaneamente a pauta da Casa. Ele voltou a defender a Reforma da Previdência, projeto do Executivo Municipal, afirmando que a votação “dividiu os homens dos meninos”.
Na interpretação de Raulzinho, os “homens” seriam aqueles que votaram a favor do texto, e os “meninos”, os que se posicionaram contra o projeto que visa aumentar a idade mínima para a aposentadoria. O ditado popular utilizado pelo vereador do MDB é empregado para indicar quais pessoas são realmente fortes e corajosas, e quais não são.
Em diversas ocasiões, o presidente da sessão, Jander Lobato (PSD), alegou que a matéria já havia sido vencida por conta do pedido de vistas de Guedes.
A ação de Rodrigo Guedes pode ser entendida como uma forma de protesto contra a aprovação da Reforma da Previdência em primeira discussão na Casa Legislativa, utilizando meios legítimos previstos no regimento parlamentar, que permitem suspender a discussão e a votação de uma matéria. Na prática, essa medida impede que outros itens da pauta sejam analisados na mesma sessão ou período.
O “protesto” de Guedes foi apoiado por Amauri Gomes (União Brasil), recém-chegado à CMM, e pelo vereador Coronel Rosses (PL).
Histórico
Na segunda-feira, o vereador Rodrigo Guedes também travou a pauta da Câmara Municipal de Manaus em protesto contra a condução da votação, realizada na semana anterior, que resultou na aprovação da Reforma da Previdência Municipal.
Na ocasião, Guedes relembrou, frente às manifestações contrárias dos vereadores aliados, a “manobra” anterior e defendeu os servidores públicos.
“É muito ruim quando a mesma manobra vira contra vocês, esse incômodo que os vereadores estão sentindo hoje foi o mesmo que os milhares de servidores públicos sentiram quando a reforma da previdência foi aprovada nessa casa sem o mínimo debate, sem aviso, só aprovaram e agora os servidores são obrigados a aceitar. Travei a pauta em forma de protesto contra a maldade que foi aprovar a reforma”, disse.
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